Um caso recente envolvendo um jovem de 19 anos mobilizou equipes de resgate na Serra do Mar, no Paraná, e culminou em um reencontro tenso entre os envolvidos. Roberto Farias passou cinco dias perdido na região do Pico Paraná, o ponto mais alto do sul do Brasil, após se separar de sua parceira de trilha, Thayane Smith.
A dupla havia iniciado a subida em 31 de dezembro de 2025 com o objetivo de observar o primeiro amanhecer do ano, mas o retorno resultou em uma operação de busca que envolveu bombeiros e voluntários. O reencontro entre os dois ocorreu dias após o resgate em uma praça de Curitiba, marcando a primeira vez que conversaram desde o incidente na montanha.
Durante a descida, Roberto relatou ter passado mal, o que o impediu de acompanhar o ritmo, levando Thayane a seguir adiante com outro grupo. Sozinho em uma encruzilhada, o jovem errou o caminho e sofreu uma queda em um penhasco. Sem as botas e os óculos, perdidos durante o acidente, ele percorreu cerca de 20 quilômetros de terreno acidentado, enfrentando pedras e cachoeiras. Farias utilizou conhecimentos básicos de primeiros socorros e controle mental para sobreviver ao isolamento. Sobre o momento da queda e as tentativas de retorno, ele relatou: “Tentei subir de volta com toda a força, gritava por socorro, mas não conseguia”. Ele conseguiu sair da mata no quinto dia, chegando a uma fazenda onde foi auxiliado por funcionários.
Alerta dos bombeiros e falhas na segurança
A operação de busca foi conduzida pelo Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST). O comandante da unidade ressaltou que permanecer em local seguro facilita o resgate, indicando que, se Farias tivesse ficado parado, uma equipe poderia tê-lo localizado no mesmo dia. Além disso, o episódio evidenciou erros de procedimento no acesso à unidade de conservação.
A dupla entrou por uma propriedade vizinha mediante pagamento, sem realizar o cadastro oficial na base do parque, administrado pelo Instituto Água e Terra (IAT). O órgão reforçou que o acesso deve ocorrer por vias legais e em horários permitidos. Roberto admitiu a falta de preparo técnico: “Eu, pela falta da capacidade ali, de conhecimento em geral do local… não ter ido com um instrutor foi um erro também, com alguém que conhece a trilha”.
Após o resgate e a recuperação, os trilheiros se reuniram para conversar sobre os eventos que levaram à separação. O diálogo, registrado pela reportagem do Fantástico, evidenciou o pedido de desculpas de Thayane por ter prosseguido sem o parceiro. “Desculpa por ter deixado você para trás. Não imaginei que isso ia acontecer”, declarou ela.
Roberto, que celebrou a sobrevivência junto à família, expressou seus sentimentos quanto à quebra de confiança durante a expedição. Apesar do alívio por estar a salvo, a conversa sinalizou a decisão de seguirem caminhos diferentes, após terem se conhecido dois meses antes da aventura.
Desfecho do reencontro e fim da parceria
O encontro terminou com a decisão mútua de seguirem caminhos distintos. Roberto reconheceu a gravidade da situação e a importância da segurança na natureza, ao mesmo tempo em que finalizou seu vínculo com Thayane.
Durante a interação, ele mencionou o desejo de que ela estivesse bem, mas concluiu a conversa estabelecendo um distanciamento definitivo. “Eu confiei em você. E o que eu tenho pra dizer é se cuida, Deus te abençoe muito”, comentou Roberto.
