Um estudo internacional publicado no Journal of the American College of Cardiology, em setembro de 2025, revelou uma conexão direta entre ataques cardíacos, derrames e condições de saúde pré-existentes. Ao analisar dados, os pesquisadores constataram que mais de 99% das pessoas que sofreram infarto, insuficiência cardíaca ou acidente vascular cerebral (AVC) apresentavam pelo menos um de quatro fatores de risco específicos antes do episódio clínico.
A investigação concentrou-se em quatro parâmetros clássicos da cardiologia: pressão arterial elevada, colesterol alto, níveis de açúcar no sangue (glicose) acima do ideal e tabagismo. Os resultados indicaram que a grande maioria dos pacientes já possuía alterações nesses indicadores, muitas vezes anos antes do diagnóstico do evento grave. A análise mostrou ainda que entre 93% e 97% dos indivíduos acumulavam dois ou mais desses fatores simultaneamente. Mesmo em grupos estatísticos considerados de menor risco, como mulheres com menos de 60 anos, mais de 95% já manifestavam algum comprometimento prévio antes do incidente.
Hipertensão como principal alerta
Dentre os elementos avaliados, a hipertensão se destacou como a ocorrência mais frequente. A natureza muitas vezes silenciosa da pressão alta pode causar danos progressivos aos vasos sanguíneos sem apresentar sintomas evidentes imediatos. Níveis de pressão arterial mesmo levemente acima do ideal podem danificar o sistema vascular ao longo do tempo.
O excesso de colesterol favorece o acúmulo de placas nas artérias, dificultando a passagem do sangue para o coração e cérebro. Paralelamente, a glicose elevada aumenta a inflamação no organismo, e o hábito de fumar acelera o envelhecimento arterial e favorece a formação de coágulos. A pesquisa evidencia que o monitoramento dessas variáveis é essencial, visto que os danos fisiológicos costumam ocorrer muito antes da emergência médica.
Controle de fatores modificáveis
Um ponto central do levantamento é a confirmação de que todos os riscos identificados são modificáveis e passíveis de controle. Mudanças no estilo de vida, como a adoção de uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividades físicas e o abandono do cigarro, somadas ao uso de medicamentos quando necessário, podem prevenir a vasta maioria dos casos. Ao demonstrar que quase a totalidade dos infartos e AVCs está ligada a variáveis controláveis, o estudo reforça a importância do acompanhamento médico regular para evitar essas doenças, que permanecem entre as principais causas de falecimento em todo o mundo.
