O que é Guillain-Barré, condição que afetou mulher de 42 anos após uso de caneta emagrecedora

Kellen Antunes, de 42 anos, está internada em Belo Horizonte; família alerta sobre riscos da automedicação e procedência de produtos sem registro.

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A auxiliar administrativa Kellen Antunes, de 42 anos, recebeu o diagnóstico de síndrome de Guillain-Barré após ser internada em estado grave em Belo Horizonte.

A paciente deu entrada na unidade hospitalar em dezembro, apresentando complicações de saúde associadas ao uso de uma “caneta emagrecedora” adquirida no Paraguai sem prescrição médica. A confirmação do quadro clínico foi divulgada nesta terça-feira (21) por sua filha, Dhulia Antunes, através de publicações em redes sociais.

Kellen permanece sob cuidados médicos no Hospital João XXIII, onde trata as consequências neurológicas que comprometeram sua mobilidade e funções vitais.

Segundo as informações prestadas pela família, o diagnóstico aponta para uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso. Dhulia utilizou a ferramenta de Stories do Instagram para atualizar a imprensa e os seguidores sobre a situação da mãe, buscando esclarecer o quadro médico real diante da repercussão do caso.

Na postagem, a filha transcreveu a conclusão da equipe médica responsável pelo tratamento. Ela afirmou: “Minha mãe está atualmente diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré. Está em um hospital sendo atendida exclusivamente“. A família mantém o foco na recuperação da paciente, que exigiu internação prolongada.

Alerta sobre riscos e desinformação

O pronunciamento da filha teve como objetivo principal alertar a população sobre os perigos da compra de medicamentos sem procedência garantida e sem acompanhamento profissional. Dhulia ressaltou que a intenção não é apenas relatar o drama pessoal, mas prevenir que outras pessoas passem pela mesma situação ao utilizar substâncias de forma indiscriminada. Em sua publicação, ela escreveu: “O meu alerta é [sobre] de quem vocês compram, e se vocês estão aptas ou não a tomar“. Além disso, ela rebateu boatos e pediu respeito ao momento delicado, declarando: “Jamais eu vou falar que a medicação do Paraguai é ruim. Eu não sei (…) Parem de ficar inventando coisas absurdas e culpando a minha mãe. Agora não é hora de achar culpados e agora a gente está focado na recuperação da minha mãe”.

A administração do Hospital João XXIII, gerido pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), optou por não divulgar boletins médicos detalhados sobre a evolução clínica de Kellen. Em nota oficial enviada à imprensa, a instituição esclareceu que “não pode disponibilizar qualquer dado individualizado que diz respeito à privacidade” dos pacientes atendidos. O caso levanta discussões sobre a segurança sanitária, uma vez que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a comercialização no Brasil de medicamentos com bula em língua estrangeira, alertando para os riscos de erros na administração e incompreensão das orientações de uso.

Características da condição autoimune

A síndrome de Guillain-Barré, diagnosticada na paciente, é uma condição na qual o sistema imunológico ataca os nervos do próprio corpo, resultando em fraqueza muscular progressiva e, em casos severos, paralisia. Os sintomas iniciais geralmente envolvem sensações de dormência e queimação nas extremidades, podendo evoluir para dificuldades motoras, fala comprometida e falhas no funcionamento de órgãos. A internação de Kellen ocorreu após o uso do produto clandestino, e seu quadro evoluiu rapidamente para problemas neurológicos. Especialistas reforçam que o uso de substâncias sem registro na Anvisa expõe os usuários a compostos desconhecidos e potencialmente tóxicos.