O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta resistência crescente para consolidar o chamado Conselho da Paz, iniciativa apresentada como solução global para conflitos internacionais. Apesar de convites enviados a dezenas de países, a adesão ficou aquém do esperado e expôs o isolamento do projeto entre aliados tradicionais do Ocidente.
A proposta nasceu como um mecanismo para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza após dois anos de guerra, mas rapidamente ganhou um escopo mais amplo. A minuta da carta constitutiva, enviada aos governos convidados, define o Conselho como uma organização internacional voltada à paz global e sequer menciona Gaza, o que gerou desconfiança diplomática. Trump afirmou ainda que o órgão poderia substituir as Nações Unidas, comentário que acendeu alerta em capitais europeias.
Convites polêmicos e cerimônia esvaziada em Davos
Rússia, China e Belarus foram convidados a integrar o Conselho, que prevê assentos permanentes mediante pagamento de US$ 1 bilhão. Aliados europeus, países do Golfo, ex-repúblicas soviéticas e até o Papa receberam convites. Ainda assim, a cerimônia de assinatura em Davos reuniu menos de 20 países, majoritariamente do Oriente Médio, Ásia e América do Sul. A Hungria foi a única representante da Europa Ocidental.
Segundo a carta, Trump presidirá o Conselho por tempo indeterminado, acima de um núcleo executivo que inclui Jared Kushner, Marco Rubio, Steve Witkoff e Tony Blair. Os únicos que aceitaram integrar o conselho foram Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Egito, Catar, Bahrein, Paquistão, Turquia, Hungria, Marrocos, Kosovo, Armênia, Argentina e Paraguai
Rejeições, temores e críticas à ONU
Reino Unido, França e Noruega recusaram a adesão, citando dúvidas jurídicas e a participação russa. A chanceler britânica Yvette Cooper afirmou que o país não assinaria porque se trata de um tratado jurídico que levanta questões muito mais amplas. A China confirmou o convite, mas reiterou compromisso com a ONU.
