Vídeo: enfermeiros assistiam as mortes, e Marcela aparentava sentir prazer com a cena que ocorria

De acordo com a polícia, os envolvidos confessaram participação em crimes, e novos desdobramentos podem ampliar o número de vítimas.

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A Polícia Civil do Distrito Federal investiga uma sequência de óbitos supostamente provocados dentro do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Segundo a apuração, um técnico de enfermagem identificado como Marcos de Araújo teria aplicado substâncias em pacientes e permanecido no local enquanto eles faleciam, inclusive após o fim do próprio plantão. Além dele, uma profissional identificada como Marcela, que segundo relato da polícia, demonstrava prazer ao assistir as mortes, e a auxiliar Amanda de Souza foram presas. De acordo com a polícia, os envolvidos confessaram participação em crimes, e novos desdobramentos podem ampliar o número de vítimas.

De acordo com o inquérito, os dois primeiros casos ocorreram em 17 de novembro. As diligências indicam que Marcos utilizou o computador de uma médica para solicitar uma receita, retirou um medicamento na farmácia da UTI, preparou seringas e aplicou a uma paciente identificada como E. Pereira da Silva. Após a primeira aplicação, a paciente sofreu uma parada cardíaca e foi reanimada pela equipe. A investigação aponta que o técnico teria feito outras duas aplicações do mesmo medicamento, seguidas de novas paradas cardíacas. Ainda conforme o relato policial, depois de três tentativas, ele teria injetado mais de dez seringas contendo desinfetante na paciente, que faleceu em seguida.

No mesmo dia, conforme a investigação, um segundo paciente, João Clemente Pereira, internado em um leito ao lado, também foi alvo de ação criminosa. O técnico de enfermagem teria permanecido observando o agravamento do quadro e o óbito, mesmo após o término do próprio plantão. A polícia sustenta que todo o procedimento foi planejado e executado dentro da estrutura hospitalar, com uso de credenciais e de insumos acessados internamente.

Como descreve a polícia

Outro episódio investigado ocorreu no dia 1º, quando o técnico teria aplicado um medicamento em Raimundo Fernandes, que apresentou piora imediata e faleceu. Segundo a apuração, Marcos de Araújo, a profissional Marcela e a auxiliar Amanda de Souza foram detidos e prestaram depoimento, nos quais reconheceram participação. A análise de imagens de câmeras internas, registros de retirada de materiais na farmácia da UTI e acesso a computadores do hospital integra o conjunto de provas em coleta.

Novas suspeitas e próximos passos da investigação

Após a divulgação dos casos e das imagens do técnico de enfermagem, familiares de outros três pacientes que faleceram no hospital procuraram a polícia para relatar suspeitas. Essas pessoas foram ouvidas formalmente, e a autoridade policial avalia a abertura de um novo inquérito para apurar possíveis conexões com a mesma linha de atuação. Um dos relatos encaminhados aos investigadores menciona que uma paciente deu entrada no hospital no dia 11, realizou exames cardiológicos sem alterações relevantes e, ainda assim, faleceu pouco depois, o que levou a família a desconfiar das circunstâncias.

A Polícia Civil informou que pode requisitar os prontuários médicos e escalas de plantão para verificar se os profissionais investigados estavam em serviço nos dias dos óbitos citados. A checagem cruzada de autorizações digitais para retirada de insumos, histórico de prescrições e logs de acesso a terminais internos é tratada como etapa decisiva para consolidar a cronologia das ações suspeitas dentro da UTI. Procurada, a administração do hospital não teve sua manifestação detalhada na transcrição, e a investigação segue em andamento sob sigilo para a preservação de provas e de dados dos pacientes.