Uma intervenção cirúrgica que deveria ser comum e segura resultou em consequências devastadoras para a família de Camila Nogueira, servidora pública e consultora de moda. Após ser submetida a procedimentos para retirada de vesícula e correção de hérnia em agosto de 2025, a funcionária do Tribunal de Justiça de Pernambuco entrou em estado neurovegetativo devido a graves complicações operatórias.
Diante do quadro, seus familiares iniciaram uma batalha jurídica e administrativa junto ao Cremepe para tentar cassar o registro das médicas responsáveis, sob a alegação de que houve uma sequência de erros determinantes para o desfecho. Antes da internação, Camila gozava de plena saúde e não apresentava condições médicas preexistentes, segundo relatos de seu marido, Paulo Menezes.
Danos cerebrais irreversíveis
Contudo, uma parada cardiorrespiratória durante o processo hospitalar causou danos cerebrais irreversíveis. Atualmente, a mãe de duas crianças pequenas necessita de auxílio de sondas e cuidados ininterruptos para sobreviver. Paulo, que agora assume sozinho a criação dos filhos, descreve a drástica mudança de vida da esposa, que passou de uma mulher extremamente ativa para alguém com consciência mínima e dependência total.
Negligência, imprudência e imperícia
A denúncia apresentada ao Cremepe descreve circunstâncias alarmantes dentro do centro cirúrgico, onde o advogado Paulo Maia aponta a ocorrência de negligência, imprudência e imperícia por parte da equipe médica. O documento revela que os sinais sonoros dos aparelhos, que alertavam sobre a dificuldade respiratória da paciente, foram ignorados por mais de um minuto e meio. Estima-se que Camila tenha enfrentado um quadro crítico de insuficiência respiratória por cerca de 15 minutos antes de sofrer a parada cardíaca definitiva.
Entre as irregularidades citadas, destaca-se a conduta da anestesista Mariana Parahyba, que assumiu o caso de última hora sem realizar a avaliação prévia obrigatória e teria demonstrado falta de reação ao perceber a gravidade da situação. Além disso, a família acusa a cirurgiã-chefe Clarissa Guedes de falha no comando da operação, enquanto a auxiliar Danielle Teti é apontada por omissão diante dos erros técnicos cometidos durante o procedimento.
