Juíza é ameaçada por conta do caso do cachorro Orelha em Santa Catarina

A juíza Ana Cristina Borba Alves, de São José (SC), sofre ameaças de haters que a confundiram com a magistrada do caso do cão Orelha (Florianópolis).

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Uma juíza de direito do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) tornou-se o mais novo alvo da fúria das redes sociais, mas por um erro grave dos internautas. A magistrada Ana Cristina Borba Alves está sendo vítima de ataques de haters por estar sendo erroneamente associada à juíza responsável pelo caso do cachorro Orelha, animal que foi sacrificado após ser agredido por adolescentes na Praia Brava, em Florianópolis.

A confusão ocorre porque Ana Cristina também atua na área da infância, mas é titular da Vara da Infância e Juventude de São José, município vizinho à capital. Portanto, ela não possui qualquer vínculo ou competência sobre o processo do cachorro Orelha, que tramita na comarca de Florianópolis.

Ameaças e pedidos de exoneração

Mesmo sem ter relação com o caso, a magistrada passou a receber uma enxurrada de ameaças virtuais. Os haters enviaram mensagens intimidadoras, com recomendações para que ela passasse a andar com seguranças e publicações exigindo que ela fosse retirada de seu cargo público imediatamente.

Em entrevista concedida ao portal ND Mais, a juíza revelou que se sentiu ameaçada e violentada com a repercussão equivocada. Diante da gravidade da situação, o caso foi oficialmente reportado ao Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional do TJSC para fins de averiguação e rastreamento dos autores. Além disso, Ana Cristina avalia a possibilidade de ingressar com ações judiciais pedindo indenização pelos danos morais sofridos.

Violência não se combate com violência, avalia juíza

Apesar do susto e da injustiça, a juíza utilizou o episódio para fazer uma reflexão sobre o linchamento virtual e o funcionamento da Justiça. Ela reforçou que o Brasil opera sob a luz do devido processo legal e do Estado de Direito.

Segundo a magistrada, a violência cometida contra o cachorro é repudiável, mas não pode ser combatida com mais violência e ameaças contra autoridades ou terceiros. A resposta, segundo ela, deve vir por meio das responsabilizações estabelecidas pelo ordenamento jurídico, de forma civilizada e legal.