O médico Paulo Nogueira utilizou as redes sociais para fazer um desabafo dramático e cobrar justiça pelo que classifica como uma sucessão de erros médicos e negligência grave. Sua esposa, a servidora pública do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Camila Nogueira, de 38 anos, ficou em estado vegetativo após ser submetida a uma cirurgia considerada de baixa complexidade em Recife.
O procedimento tinha como objetivo a remoção de pedras na vesícula e a correção de uma hérnia, desenvolvida durante a segunda gestação da paciente, há cerca de dois anos. A cirurgia era vista como rotineira pela equipe médica, com previsão de alta para o mesmo dia.
15 minutos sem oxigênio
O pesadelo da família começou logo após a entrada de Camila no bloco cirúrgico. Paulo relatou que foi chamado pela equipe por volta das 12h e informado de que houve complicações. A cirurgiã explicou que a paciente sofreu uma parada cardíaca e ficou cerca de 15 minutos sem respirar, necessitando de reanimação e transferência imediata para a UTI.
Desconfiado da versão apresentada e munido de seu conhecimento técnico, Paulo contratou uma perícia particular para analisar os prontuários e os registros dos equipamentos. A investigação da família aponta falhas críticas no monitoramento da anestesia.
Alarmes ignorados
Segundo o relato do marido, os dados dos monitores indicam que, após a indução da anestesia geral, Camila não recebeu a ventilação adequada. O oxigênio não estaria chegando aos pulmões — seja por erro na intubação, falha no equipamento ou desconexão de cabos. A perícia indicou que a servidora sofreu sucessivas apneias (interrupção da respiração). O mais grave na denúncia é a alegação de que a equipe médica teria ignorado os alarmes sonoros e visuais emitidos pelos aparelhos.
Ainda segundo a denúncia, Camila permaneceu em sofrimento respiratório por cerca de 15 minutos até evoluir para uma parada cardiorrespiratória. Mesmo a parada teria levado quase dois minutos para ser percebida pelos profissionais na sala, resultando em sequelas neurológicas irreversíveis. “Tiraram o sonho dela”, lamentou Paulo Nogueira, referindo-se ao desejo da esposa de ver os filhos pequenos crescerem. O caso segue sendo investigado.
