Vírus Nipah pode chegar ao Brasil? Surto da doença com alta letalidade coloca autoridades em alerta sanitário

Doença transmitida por morcegos não tem cura e pode causar inflamação cerebral.

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Cerca de 110 indivíduos foram submetidos ao isolamento na Índia em decorrência de um novo surto do vírus Nipah. A medida preventiva de quarentena foi implementada após dois profissionais de saúde receberem atendimento no início de janeiro de 2026 com diagnóstico confirmado da infecção. O patógeno integra a lista de prioridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) devido ao seu potencial epidêmico e elevada taxa de letalidade, que pode alcançar 70% dos casos confirmados, exigindo monitoramento constante das autoridades sanitárias locais.

A transmissão da doença é zoonótica, ocorrendo principalmente de animais como morcegos e suínos para seres humanos, ou através da ingestão de alimentos contaminados. O quadro clínico pode variar de infecções respiratórias agudas a encefalite, caracterizada pela inflamação do cérebro. O agente infeccioso afeta severamente o sistema nervoso central e, embora o contágio entre pessoas seja possível, ele é mais frequente em ambientes hospitalares entre cuidadores e pacientes.

Sintomas da infecção e ausência de tratamento

A evolução clínica dos pacientes infectados, que pode ser rápida e agressiva. Os principais sintomas são como os de qualquer outra virose: dor de cabeça, dor no corpo e febre. No entanto, a doença pode evoluir para um quadro de alteração do nível de consciência, podendo levar o paciente ao óbito. Vale ressaltar que em muitos casos os sobreviventes frequentemente enfrentam sequelas neurológicas de longo prazo.

O diagnóstico é realizado por meio de testes laboratoriais como o RT-PCR em fluidos corporais durante a fase aguda da enfermidade. Atualmente, a medicina não dispõe de fármacos capazes de combater a infecção diretamente, limitando-se ao controle dos sinais vitais.

Contexto global e riscos para o Brasil

Identificado pela primeira vez na Malásia em 1999, o vírus tem registrado surtos periódicos em Bangladesh e na Índia, onde um episódio grave ocorreu em 2018 na cidade de Calecute, quando 17 dos 18 casos confirmados morreram. Especialistas apontam que a perda de habitat natural aproxima os animais dos centros urbanos, facilitando o contágio. Em relação ao Brasil e demais países da América Latina, não há registros da doença, uma vez que a região não abriga as espécies de morcegos que atuam como hospedeiros naturais do vírus, restringindo a preocupação imediata ao continente asiático.