Inicia-se neste sábado, dia 31 de janeiro, o terceiro dia de buscas pela menina Alice Maciel Lacerda Lisboa, uma criança de quatro anos com autismo não verbal que desapareceu na Zona Rural do distrito de Bituri. O caso, registrado na cidade de Jeceaba, na Região Central do estado de Minas Gerais, mobiliza forças de segurança e voluntários desde a tarde da última quinta-feira, dia 29 de janeiro, quando a menina foi vista pela última vez no sítio de seus avós.
Em entrevista concedida para a TV Globo, a mãe de Alice, Karine Maciel, de 24 anos, trouxe à tona os detalhes dolorosos sobre como o desaparecimento aconteceu. Segundo o relato, a avó da criança estava enfrentando dificuldades para realizar uma transação bancária via PIX pelo celular e pediu auxílio aos demais familiares que estavam na casa. Foi exatamente durante esse breve momento de atenção voltada para o aparelho telefônico que a menina saiu do campo de visão dos adultos.
Descuido de segundos
Aproveitando-se desse intervalo de poucos segundos de distração, Alice Maciel conseguiu abrir o portão da propriedade e sair para a área externa, não tendo sido mais vista desde então. A revelação de Karine explica a rapidez com que o incidente ocorreu, transformando uma tarde em família em um cenário de angústia e mobilização policial que já dura mais de 48 horas.
“A minha mãe recebeu um telefonema do meu irmão pedindo pra fazer um PIX pra ele, só que ele mandou o PIX com um número errado, minha mãe não estava conseguindo fazer o PIX. Nisso, ela (a avó da menina) pediu ajuda ao meu pai, à minha irmã, pra olhar, e todo mundo concentrou no telefone pra ver por que não estava fazendo o PIX. Nisso, ela (Alice Maciel) saiu. Mas foi, tipo, cinco minutos e a minha mãe percebeu que ela não estava ali mais”, contou a mãe, que trabalhava no momento em que a filha desapareceu.
Vulnerabilidade extrema
Além da busca física na mata, o caso ganhou repercussão digital na última sexta-feira, quando um áudio de Karine viralizou nas redes sociais. Na gravação, em tom de súplica, a mãe levantou a hipótese de um possível rapto e clamou para que, caso alguém tenha levado sua filha, a devolva para a família ou a deixe em algum lugar seguro, comunicando o resgate.
O desespero dos parentes é agravado significativamente pela condição de saúde da criança. Por ser autista, Alice necessita de cuidados ininterruptos e rotina supervisionada, o que torna sua permanência sozinha na mata ou longe da família um risco ainda maior à sua integridade física.
“Pelo amor de Deus, se alguém pegou a minha filha, por favor, devolve ela. Ela é autista. Ela precisa de cuidado. Ela fica comigo o tempo inteiro. Ela só não fica comigo quando eu trabalho […]. Ela tem um irmão da idade dela. Os dois só ficam juntos. Ele ‘tá’ sentindo muita falta dela, por favor. Se alguém pegou minha filha, devolve. Ou, então, larga ela em algum lugar e avisa”, suplicou a mãe pelas redes sociais.
