Relatório ao STF detalha rotina de Bolsonaro na Papuda e aponta falta de leitura para remição

Documento da PM revela caminhadas, fisioterapia e acompanhamento médico, mas sem registro de leitura para reduzir a pena.

PUBLICIDADE

Nesta sexta-feira (30), a Polícia Militar do Distrito Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal um relatório detalhando o cotidiano de Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da PM, a Papudinha. O material abrange o período de 15 a 27 de janeiro e registra atividades como caminhadas diárias, sessões de fisioterapia e atendimentos de médicos e advogados.

O texto, solicitado pelo ministro Alexandre de Moraes para monitorar a execução da pena de 27 anos e 3 meses pela tentativa de golpe, destaca que o ex-presidente não realizou leituras para fins de remição de pena durante os 13 dias analisados.

Acompanhamento médico constante

Conforme o relatório apresentado, Jair Bolsonaro foi acompanhado por uma rotina médica rigorosa, recebendo no mínimo quatro visitas diárias de profissionais de saúde, alternando entre equipes da Secretaria de Saúde do DF e médicos de sua confiança particular. A Polícia Militar informou que esses atendimentos focam prioritariamente em avaliações clínicas básicas, como o monitoramento da oxigenação, frequência cardíaca e pressão arterial.

Além desse acompanhamento, o ex-presidente realizou sessões de fisioterapia em dias alternados sob supervisão profissional dentro da unidade. Esse esquema de cuidados cumpre as determinações estabelecidas pelo ministro Alexandre de Moraes, que ao autorizar a transferência para a Papuda, exigiu a garantia de assistência médica integral 24 horas por dia e a manutenção das terapias físicas em cronogramas pré-definidos.

Leitura para redução de pena autorizada, mas não registrada

A decisão judicial também autorizou que Jair Bolsonaro utilizasse a leitura e a elaboração de resenhas como método para abreviar seu tempo de detenção. Apesar dessa concessão, o relatório da Polícia Militar indica que, durante as duas primeiras semanas no 19º Batalhão, não houve registro de qualquer atividade vinculada a esse programa.

Pelas normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), essa modalidade de remição de pena oferece ao detento a possibilidade de reduzir quatro dias de sua condenação para cada obra lida, desde que a respectiva resenha seja aprovada.