‘Pensei que fosse um pássaro’: como motocicleta quebrada determinou o resgate de Alice Maciel?

Alice (4 anos) é encontrada viva a 2km de casa após voluntário confundir seus gritos com pássaro durante conserto de moto.

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Alice Maciel Lacerda Lisboa, de quatro anos de idade, que estava desaparecida desde a tarde da última quinta-feira, dia 29 de janeiro, foi localizada com vida e sem ferimentos na tarde do último sábado, dia 31 de janeiro. A criança, que é autista não verbal, foi encontrada graças ao empenho de um dos vários grupos de voluntários que se uniram aos agentes do Corpo de Bombeiros na complexa missão de varredura. O desfecho feliz encerrou dias de angústia para a família e para a comunidade local.

Um dos integrantes do grupo responsável pelo resgate, o operador de abastecimento Guilherme Henrique Azevedo, detalhou a coincidência que permitiu o salvamento. Segundo ele, a motocicleta utilizada pela equipe apresentou uma falha mecânica, obrigando os voluntários a pararem na trilha para realizar o conserto. Foi nesse momento de silêncio do motor e concentração que eles, ao utilizarem assobios para se comunicarem uns com os outros devido à distância na mata, ouviram um som diferente.

Confundida com um pássaro

A princípio, Guilherme Henrique acreditou que o barulho ouvido se tratasse apenas do canto de um pássaro, algo comum na região de mata fechada. No entanto, a insistência e o padrão dos gritos o levaram a desconfiar de que aquele som poderia ser, na verdade, um sinal de vida de Alice Maciel. Ao seguirem a origem do ruído, o grupo se deparou com a menina, protagonizando um resgate marcado por profunda emoção de todos os envolvidos.

“A gente estava lá embaixo e um amigo lá em cima. Eu falei com ele: ‘Assovia… para ver que nós estamos aqui’. Assim que ele assobiou, eu escutei um grito. Pensei que fosse um pássaro. Gritou outra vez, eu falei: ‘Isso é grito de criança’. A gente foi, subiu o pasto e a encontrou lá”, narrou o voluntário. “Mocinha, calma. Pode ficar calma”, afirmou Guilherme, instantes antes de fazer contato visual com a menina.

A criança foi localizada a cerca de dois quilômetros de distância do sítio de seus avós, local de onde havia fugido. A sobrevivência de Alice foi considerada impressionante, visto que a área é composta por uma mata densa com 40 hectares de extensão — o correspondente a 40 campos de futebol —, além do fato de que fortes chuvas atingiram a região durante os dias e noites em que a menina esteve desaparecida e exposta ao tempo.

Desafios da operação

Todos esses fatores geográficos e climáticos tornaram o trabalho extremamente desafiador para as equipes de busca. A operação de grande porte contou com a mobilização de 21 militares do Corpo de Bombeiros, o uso de tecnologia avançada como drones equipados com câmeras térmicas e cães farejadores, além da força fundamental dos muitos voluntários que não desistiram de procurar pela pequena Alice.