Mesmo com a comprovação judicial de sua inocência, o julgamento agressivo do tribunal da internet deixou marcas profundas na família do rapaz de 15 anos, que teve sua rotina destruída ao ser erroneamente vinculado ao episódio de maus-tratos contra os cães Caramelo e Orelha.
Em um depoimento sensível concedido ao portal LeoDias, o pai do adolescente explicou que a conclusão do inquérito não foi suficiente para devolver a tranquilidade ao ambiente familiar, já que o linchamento digital provocou um colapso na saúde mental de todos.
Saúde mental abalada
Ele revelou a gravidade da situação ao afirmar que: “Minha esposa teve que ir ao psiquiatra e está afastada do trabalho. Ela não tem condições, só chora e fica à base de remédios no sofá”. Enquanto as redes sociais exigiam retaliação, o jovem vivia o terror de ser alvo de uma agressão física por um crime que não cometeu, levando o pai a manter uma vigilância ininterrupta por medo de que o filho, fragilizado pela pressão, cometesse um ato contra si mesmo.
Segundo o relato, o isolamento é total: “Ele não sai de casa há 10 dias. Ele diz que tem medo de sair na rua”. O adolescente ainda tentou utilizar seus perfis digitais para esclarecer os fatos e se defender, porém, as investidas e ofensas continuaram ignorando a realidade.
Para os progenitores, pedidos de desculpas ou retratações feitas agora não possuem o poder de curar o dano causado, concluindo que: “O sofrimento psicológico do Pedro é irreversível. As sequelas que ele vai levar são para a vida toda”.
Caso Orelha e Caramelo
A Polícia Civil informou que os adolescentes investigados pela agressão fatal ao cão comunitário Orelha também tentaram afogar outro animal na Praia Brava, em Florianópolis. O alvo da nova ação foi Caramelo, companheiro de Orelha, que chegou a ser arrastado para o mar pelo grupo, mas conseguiu fugir. De acordo com o delegado-geral Ulisses Gabriel, após o episódio traumático, o cachorro já foi acolhido por uma nova família.
