Michele Martins de Souza, de 40 anos, faleceu em decorrência do desabamento de duas residências na Favela do Metrô, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro. A vítima, que atuava como ajudante de cozinha e estava desempregada no momento, residia na comunidade há aproximadamente 15 anos. Além do óbito de Michele, o incidente resultou em ferimentos em duas de suas filhas, uma adolescente de 14 anos e uma criança de 7 anos. A menina mais nova precisou ser hospitalizada após permanecer sob os escombros por mais de seis horas até o resgate ser concluído pelas equipes de emergência.
Conhecida pela dedicação aos quatro filhos, com idades entre 7 e 21 anos, Michele buscou abrigo na antiga Favela do Metrô após não conseguir manter o pagamento do aluguel no Morro dos Macacos, em Vila Isabel. Segundo relatos de pessoas próximas, a família ocupou o imóvel na região do Maracanã porque o local estava vazio, tornando-se a alternativa viável de moradia diante das dificuldades financeiras enfrentadas. O objetivo principal da ajudante de cozinha era garantir um teto para sua família.
Expectativa por moradia segura
O desejo de deixar a área de risco era constante na vida de Michele, que vislumbrava a possibilidade de ser beneficiada por programas habitacionais. Tácito Simões, produtor cultural e amigo da vítima, relatou que ela mantinha esperanças em relação aos novos empreendimentos na Rua Visconde de Niterói. “O sonho dela sempre foi sair dali. A gente rezava para conseguir uma casa segura, ser contemplado pelo Minha Casa, Minha Vida”, afirmou Simões. A expectativa era de que as unidades em construção pudessem ser destinadas às famílias que vivem em situação de vulnerabilidade naquela localidade.
A situação de precariedade habitacional na região já havia sido objeto de visitas de órgãos públicos, conforme apontam moradores. Tácito destacou que representantes da Secretaria Municipal de Habitação estiveram no local realizando levantamentos, mas sem apresentar soluções concretas ou retornos efetivos para a comunidade.
Investigação e cenário de risco
A falta de ações preventivas foi criticada por Tácito, que associou a mobilização das autoridades apenas à ocorrência do sinistro fatal. As circunstâncias exatas que levaram ao colapso das estruturas na antiga Favela do Metrô estão sob análise das autoridades competentes. A Polícia Civil conduz a investigação para apurar as responsabilidades e as causas determinantes do desabamento que vitimou Michele e feriu suas filhas.
