Um vídeo mostra o momento em que o porteiro, testemunha no caso do cão Orelha, teria sido confrontado e coagido pelo pai e pelo tio de um dos adolescentes investigados pela morte do animal na Praia Brava, em Florianópolis. O registro ocorreu pouco depois da meia-noite do dia 13 de janeiro e foi divulgado pelo programa Domingo Espetacular.
No vídeo, é possível ver uma mulher saindo com um dos adolescentes, que teria proferido xingamentos ao porteiro enquanto passa por ele. Minutos depois, aparecem o pai e o tio do jovem, que teriam ido até a portaria para exigir fotos e vídeos que, segundo a polícia, poderiam comprovar supostas confusões envolvendo o adolescente na região.
Caso Orelha: polícia faz buscas nas casas de suspeitos após suposta coação ao porteiro
A delegada de Proteção Animal, Mardjoli Adorian Valcareggi, informou que o tio do suspeito estaria com um volume na cintura, levantando a suspeita de que poderia se tratar de uma arma. Durante a busca e apreensão na residência do adolescente, contudo, nada foi encontrado. Apesar disso, o pai e o tio flagrados, assim como o pai de outro adolescente, foram indiciados por coação de testemunha.
A defesa do porteiro nega que ele tenha registrado qualquer agressão contra o cão. Segundo o advogado Marcos Vinícius de Assis dos Santos, o funcionário nunca filmou nem presenciou maus-tratos ao animal. Ele já havia alertado a administração do condomínio sobre confusões e comportamentos desordeiros de adolescentes nos meses anteriores à morte do cão.
Caso Orelha: defesa de porteiro se manifesta após suposta coação vir à tona
Depois das agressões ao cão comunitário, a defesa afirma que o porteiro começou a enfrentar constrangimentos e intimidações no trabalho, vindos da administração do condomínio. Ele teria recebido advertência por escrito e também sido repreendido verbalmente.
Além disso, foi obrigado a tirar férias sem aviso prévio, enquanto familiares dos adolescentes supostamente envolvidos teriam continuado a fazer ameaças contra ele. “Mesmo tendo esclarecido tudo isso, ele foi alvo de violações à sua liberdade, intimidade, privacidade, moral, ao trabalho digno e, principalmente, à sua segurança”, disse a defesa do porteiro em nota.
