O piloto de aviação comercial Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi detido na manhã desta segunda-feira (9/2) no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, sob a acusação de liderar um esquema voltado à exploração de menores.
A ação policial ocorreu no interior da cabine da aeronave que realizaria o voo LA3900 com destino ao Rio de Janeiro, momentos antes da decolagem. A operação, denominada Apertem os Cintos, foi conduzida pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia e cumpriu mandados de busca e apreensão contra investigados na capital paulista e na região metropolitana. Segundo as autoridades, o comandante utilizava sua profissão e recursos financeiros para atrair famílias e ter acesso às vítimas.
As investigações apontam que o suspeito oferecia pagamentos que variavam entre R$ 30 e R$ 100, além de custear despesas como aluguel e fornecer medicamentos, em troca de submeter crianças e adolescentes a atos de violência íntima. O inquérito revelou que Lopes abordava mulheres, questionando sobre a existência de filhos e propondo relacionamentos extraconjugais como forma de aproximação.
Uma mulher de 55 anos, avó de três meninas com idades de 10, 12 e 14 anos, também foi detida em Guararema, suspeita de ter recebido vantagens financeiras enquanto as netas eram vitimizadas. De acordo com a apuração, mães e responsáveis literalmente “vendiam” o acesso às crianças para o piloto.
Abordagem estratégica e confissão
A decisão de realizar a detenção dentro da aeronave foi estratégica, visando garantir que o piloto não tivesse chance de fuga, dado que sua escala de trabalho permitiria deslocamentos rápidos para outras cidades.
Inicialmente, Sérgio Lopes negou as acusações ao ser confrontado pelos agentes. No entanto, a postura do piloto mudou quando a delegada responsável citou nominalmente três vítimas e mencionou a existência de imagens de conteúdo ilícito armazenadas em seu dispositivo móvel. Diante das evidências apresentadas, ele desbloqueou o celular e admitiu a autoria dos atos, revelando detalhes sobre a dinâmica dos crimes que, segundo a polícia, ocorriam há mais de oito anos e fizeram pelo menos dez vítimas.
O inquérito policial, iniciado em outubro de 2025, identificou que o piloto integrava uma “rede criminosa estruturada voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes”. Além da prisão do comandante e da avó das vítimas, a operação busca identificar outros possíveis envolvidos no esquema através da perícia nos aparelhos celulares apreendidos. As autoridades destacaram a gravidade das situações a que as menores, com idades entre 11 e 15 anos já identificadas, eram submetidas. O piloto utilizava documentos falsos para levar as vítimas a locais privados, dificultando a fiscalização e o rastreamento de suas atividades ilícitas ao longo dos anos.
Posicionamento da companhia aérea
Em resposta ao ocorrido, a Latam emitiu um comunicado oficial informando que está colaborando integralmente com as autoridades competentes nas investigações. A empresa ressaltou que abriu uma apuração interna para acompanhar o caso envolvendo seu funcionário.
Em nota, a empresa declarou: “A companhia repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta”. Apesar da operação policial realizada a bordo, o voo que seria comandado por Lopes seguiu sua programação normal, realizando o trajeto previsto com outra tripulação técnica.
