O mercado financeiro brasileiro registrou um fluxo relevante de capital estrangeiro recentemente, impulsionado por movimentos estratégicos de grandes investidores globais. Documentos regulatórios revelaram que o bilionário Stanley Druckenmiller, por meio do fundo Duquesne, realizou uma realocação significativa de recursos na América Latina. O gestor optou por vender ativos argentinos para montar uma posição robusta no mercado de ações do Brasil, aproveitando o atual momento de rotação global de portfólios e o fluxo de capital externo na B3.
A decisão ocorre em um cenário de tensões geopolíticas que influenciam a saída de dólares dos mercados norte-americanos e redirecionam recursos para emergentes. Estrategistas do Itaú BBA, Victor Natal e Mathias Venosa, analisaram o contexto atual de busca por novos mercados fora do eixo central. Segundo os especialistas: “Diante de crescentes incertezas geopolíticas envolvendo algumas das principais potências mundiais, os investidores seguem reduzindo a exposição em ativos norte-americanos, em busca de maior diversificação geográfica”.
Reestruturação de ativos na América Latina
O relatório 13-F enviado à SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, detalhou a redução drástica da exposição do fundo à Argentina. Druckenmiller vendeu quase a totalidade de sua participação na petrolífera YPF e no Global-X MSCI Argentina ETF, movimentando o equivalente a US$ 788 milhões. Em contrapartida, o investidor adquiriu 3,5 milhões de ações do iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) no quarto trimestre de 2025, uma posição avaliada em cerca de US$ 91 milhões. Embora a data exata da compra não seja pública, estimativas baseadas no valor de exposição indicam um rendimento potencial de US$ 50 milhões com a operação brasileira até o momento.
Além da aposta no índice brasileiro amplo via ETF, o fundo realizou outros ajustes pontuais em sua carteira, zerando completamente sua participação no Nubank, que totalizava 1,45 milhão de ações no trimestre anterior. No cenário norte-americano, a carteira foi calibrada com investimentos no setor financeiro e industrial, incluindo posições na Alcoa e em companhias aéreas como Delta, United e American Airlines. O fundo também buscou refúgio em ETFs que excluem o peso excessivo do setor de tecnologia, diversificando os riscos diante da volatilidade internacional.
Histórico de atuação no mercado global
Stanley Druckenmiller fundou a Duquesne Capital Management em 1981 e consolidou sua reputação ao atuar como gestor do Quantum Fund, de George Soros, entre os anos de 1988 e 2000. O investidor ganhou notoriedade mundial na década de 1990 devido à famosa aposta contra a libra esterlina, episódio conhecido no mercado financeiro como Quarta-Feira Negra, que gerou lucros superiores a US$ 1 bilhão em um único dia. A recente movimentação em direção ao Brasil reafirma a estratégia do gestor de buscar oportunidades táticas em mercados emergentes durante períodos de instabilidade nas economias centrais.
