Autoridades sanitárias elevaram o nível de alerta após a identificação de novos casos do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental, na Índia. Cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena preventiva para conter a disseminação do patógeno na região asiática.
Identificado pela primeira vez em 1998 na Malásia, o vírus tem como reservatório natural os morcegos frugívoros que se alimentam de frutas. A transmissão para humanos ocorre pelo contato direto com esses animais ou por meio de hospedeiros intermediários, como os suínos.
Os pacientes infectados costumam apresentar sintomas iniciais como febre severa, dores musculares, cefaleia e náuseas constantes. Em quadros clínicos mais graves, a infecção progride para complicações respiratórias agudas e inflamações neurológicas perigosas.
Riscos de disseminação e monitoramento
A especialista Cinara Silva Feliciano, da USP, afirma que o risco de o vírus chegar ao Brasil é considerado baixo no cenário atual. Segundo a infectologista, a espécie de morcego transmissora não é encontrada no continente americano, restringindo-se à Ásia e Oceania.
Não existem evidências científicas que apontem para uma disseminação global do agente para além do sudeste asiático no momento. O monitoramento das autoridades de saúde permanece focado nas áreas de ocorrência histórica para evitar novos surtos localizados.
Letalidade e medidas de prevenção
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a taxa de letalidade da doença varia entre 40% e 75% dos casos registrados. O alto índice de mortalidade é atribuído à capacidade do vírus de provocar encefalite grave e sequelas neurológicas permanentes.
Estratégias de contenção incluem a higienização frequente das mãos e o uso de equipamentos de proteção em áreas de risco. O combate à desinformação e a comunicação clara sobre as formas de contágio são apontados como pilares essenciais para o controle viral.
