A Justiça de São Paulo determinou nesta terça-feira (10) que a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, passe a ser investigada como feminicídio. A decisão foi tomada após a análise de novos elementos reunidos no inquérito policial, incluindo laudos periciais que indicaram sinais de agressão antes do disparo que matou a vítima. O caso ocorreu na manhã de terça-feira (18), no apartamento onde a policial morava com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, no bairro do Brás, região central da capital.
Inicialmente registrado como suicídio, o episódio passou a ser tratado como morte suspeita depois que familiares da policial contestaram a versão apresentada no início da investigação. Com a decisão judicial, o processo deve ser redistribuído para uma Vara do Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes contra a vida. A mudança ocorreu após pedido baseado na natureza do delito investigado.
Juíza levou laudos necroscópicos em consideração
A decisão da magistrada também leva em consideração os resultados do laudo necroscópico que identificou lesões no rosto e no pescoço da policial. Os peritos apontaram marcas compatíveis com pressão exercida por dedos e unhas, o que pode indicar que a vítima foi agredida antes de ser baleada. A análise técnica também sugere que Gisele pode ter perdido a consciência antes do disparo.
Outro ponto analisado pelos investigadores envolve o momento em que o marido acionou o socorro. Uma vizinha afirmou ter ouvido um estampido por volta de 7h28 na manhã do crime, enquanto a primeira ligação para pedir ajuda foi registrada cerca de meia hora depois. Na chamada feita para a Polícia Militar, o oficial relatou o ocorrido. “Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor”, afirmou.
Arma na mão de Gisele e comportamento do marido chamaram a atenção
Com o avanço das investigações, diferentes aspectos da cena passaram a ser questionados, incluindo a posição da arma na mão da vítima e o comportamento do marido no momento do atendimento. Depoimentos de socorristas também levantaram dúvidas sobre a versão apresentada inicialmente. O caso continua sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar, enquanto a Justiça acompanha os desdobramentos que podem definir se houve ou não um crime de feminicídio.
