Pai da filha da PM Gisele presta depoimento e expõe situação do tenente-coronel com a criança

Morte de Gisele Alves Santana passou a ser investigada como feminicídio e polícia tem ouvido testemunhas.

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O ex-marido da policial militar Gisele Alves Santana compareceu à Polícia Civil de São Paulo na sexta-feira (13) para prestar depoimento sobre a morte da agente, ocorrida em fevereiro na capital paulista. A informação foi confirmada pelo advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa a família da PM e acompanha as investigações sobre o caso, que inicialmente foi tratado como suicídio, mas posteriormente passou a ser considerado morte suspeita.

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De acordo com o defensor, o ex-companheiro da policial afirmou às autoridades que Gisele jamais demonstrou intenção de tirar a própria vida. “Ela nunca pensou em cometer suicídio”, disse. Segundo o advogado, a declaração reforça as dúvidas levantadas pela família em relação às circunstâncias da morte da soldado, que tinha 32 anos.

Filha de Gisele não queria mais morar com tenente-coronel

Ainda segundo José Miguel, a filha da policial não queria mais conviver com o padrasto, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto. A criança teria presenciado episódios em que a mãe era tratada de forma agressiva pelo oficial. O advogado também relatou que Gisele teria confidenciado à filha que pretendia deixar a casa onde vivia com o marido e voltar para a residência dos próprios avós.

A morte da policial aconteceu na manhã de terça-feira (18), dentro do apartamento do casal localizado no bairro do Brás, na região central de São Paulo. Segundo o registro inicial, houve uma discussão entre os dois antes do disparo que matou a soldado. A versão apresentada pelo tenente-coronel às autoridades aponta que Gisele teria utilizado a arma dele para atirar contra a própria cabeça.

Investigação da morte de Gisele Santana

Diante das controvérsias, a Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo abriu um inquérito para investigar denúncias de perseguição, intimidação e ameaças envolvendo o oficial. O caso passou a ser analisado como morte suspeita e foi encaminhado à Justiça, que decidiu remeter o processo ao Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes contra a vida, como feminicídio. A defesa de Geraldo Leite Rosa Neto afirmou à imprensa que ainda não teve acesso ao depoimento prestado.