O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual pré-candidato à Presidência da República, avalia a possibilidade de adiar a apresentação oficial de seu plano de governo em cerca de três meses. Inicialmente, a expectativa era que as diretrizes principais fossem divulgadas no final de março, mas interlocutores próximos ao parlamentar sugerem que o lançamento ocorra apenas em junho. A mudança de cronograma visa preservar o desempenho recente do senador nas pesquisas de intenção de voto, nas quais ele aparece tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em simulações para o pleito de 2026.
A estratégia debatida internamente busca evitar que o atual momento favorável seja prejudicado pela exposição antecipada de temas sensíveis. Segundo avaliações repassadas à imprensa, a divulgação imediata poderia contaminar essa “boa fase” com um noticiário potencialmente negativo, gerado pela reação a medidas que, embora consideradas técnicas, tendem a ser impopulares junto ao eleitorado geral. O grupo político do senador entende que o foco no momento deve ser a consolidação de sua imagem política antes de entrar em debates técnicos profundos que possam gerar atritos desnecessários.
Propostas fiscais e riscos
Entre os pontos que geram preocupação na equipe de campanha estão propostas voltadas ao mercado financeiro, que incluem novas reformas macroeconômicas e uma revisão do arcabouço fiscal. Aliados de Flávio reconhecem que, apesar de serem medidas defendidas como necessárias para a economia, elas abrem margem para críticas adversárias e podem resultar em desgaste eleitoral prematuro. Diante desse cenário, a preferência majoritária entre os conselheiros é postergar a publicidade do documento, permitindo um cálculo político mais preciso sobre o momento adequado para introduzir pautas de austeridade ou reestruturação econômica.
Durante a fase de pré-campanha, o senador tem mantido diálogos constantes com figuras proeminentes da equipe econômica da gestão de Jair Bolsonaro. A lista de conselheiros inclui o ex-ministro Paulo Guedes, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, além de Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica, e Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES. A economista Daniela Marques, que atuou como braço direito de Guedes e presidiu a Caixa Econômica Federal, também integra o grupo de consultas e é cotada como um dos nomes potenciais para assumir a condução da economia em um eventual governo a partir de 2027.
Escolha de liderança econômica
Apesar das especulações em torno dos nomes citados, fontes ligadas ao pré-candidato asseguram que ainda não existe um favorito definido para ocupar o posto de “superministro” da Fazenda. A decisão final não dependerá apenas da competência técnica, mas fundamentalmente do alinhamento pessoal com o senador. Um interlocutor próximo explicou que o fator determinante para a escolha será o “match”, ou seja, a existência de uma boa química nas conversas diretas com o próprio Flávio, garantindo que o futuro titular da pasta tenha total sintonia com as diretrizes e o estilo de governança do mandatário.
