Caso Gisele: Laudo revela que tenente-coronel Neto manteve relação sexual com a PM pouco antes de sua morte

Diálogos entre casal revelam relatos de humilhação e reforçam suspeitas contra tenente-coronel preso.

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A Corregedoria da Polícia Militar teve acesso a mensagens trocadas entre o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e sua esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde viviam, no Centro de São Paulo.

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O oficial foi preso nesta quarta-feira (18), após a Justiça Militar decretar sua prisão preventiva, sendo investigado por feminicídio e fraude processual. As conversas, obtidas pelo SP1, da TV Globo, revelam que Gisele relatava episódios frequentes de humilhação, piadas ofensivas e comportamentos considerados abusivos por parte do marido, inclusive no ambiente profissional. Segundo os registros, ele costumava aparecer no local de trabalho da esposa e permanecer por horas observando suas atividades.

Mensagens revelam conflitos entre tenente-coronel e PM

Em um dos trechos das mensagens divulgadas, Gisele cobra mudanças no comportamento do marido e critica atitudes que classificou como inadequadas. Laudos da Polícia Científica de São Paulo também indicam que o casal manteve relação sexual pouco antes da morte da policial, informação que passou a integrar a investigação conduzida pelas autoridades.

Não dá para entender. Você pediu para eu não ir embora. Eu fico e você continua igual, até pior, com seu tratamento. Falando coisas para me humilhar, para me provocar”, escreveu a PM, morta com um tiro na cabeça. De acordo com a investigação, o tenente-coronel também teria enviado mensagens com teor machista à esposa. “Lugar de mulher é em casa, cuidando do marido. E não na rua, caçando assunto. Rua é lugar de mulher solteira à procura de macho”, declarou.

Prisão

O militar foi preso pela Corregedoria da Polícia Militar em São José dos Campos, no interior paulista, por volta das 8h17. Em nota, a defesa contestou a legalidade da prisão, alegando que a medida não deveria ter sido determinada pela Justiça Militar. Inicialmente, o oficial sustentava que Gisele teria tirado a própria vida após uma discussão. No entanto, essa versão foi descartada após a Polícia Civil tratar o caso como morte suspeita e laudos periciais apontarem indícios de homicídio. O militar foi indiciado por feminicídio e fraude processual, acusado de adulterar a cena do crime.