Mensagens extraídas pela Corregedoria da Polícia Militar do celular do tenente-coronel Geraldo Neto indicam que a policial militar Gisele Alves Santana pode ter sido vítima de agressão física dias antes de morrer. O caso ocorreu no apartamento onde o casal vivia, no Brás, região central de São Paulo, e passou a ganhar novos contornos após a análise do material.
De acordo com relatório obtido pela TV Globo, no dia 6 de fevereiro, a vítima relatou em conversa com o marido episódios de conflito e violência. Gisele afirmou que o companheiro buscava constantemente motivos para discussões e descreveu uma situação ocorrida no dia anterior, 5 de fevereiro de 2026.
Trechos reforçam suspeitas de violência doméstica no relacionamento
“Você sempre caçando um motivo para brigar. Mas você vai ver só. Você enfiou a mão na minha cara ontem. Gritou comigo hoje”, escreveu Gisele. A PM morreu no dia 18 de fevereiro. Segundo a Corregedoria, “as extrações das mensagens trocadas entre a Sd PM Gisele e o oficial revelam, inclusive, episódio que sugere a ocorrência de violência física praticada contra a vítima”.
O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado de forma mais aprofundada após familiares denunciarem um relacionamento conturbado. Com base em laudos periciais concluídos cerca de 30 dias após a morte, a Polícia Civil apontou que Gisele Alves Santana teria sido vítima de homicídio. O tenente-coronel Geraldo Neto foi indiciado por feminicídio e fraude processual e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Militar. Ele foi detido nesta quarta-feira (18), em São José dos Campos, após autorização judicial.
Relação conturbada entre PM Gisele e coronel
Outras mensagens analisadas também indicam que a vítima relatava humilhações constantes, piadas ofensivas e comportamentos considerados abusivos por parte do marido, inclusive no ambiente de trabalho. Para a Corregedoria, os diálogos demonstram uma concepção de relacionamento baseada em submissão e hierarquia no âmbito doméstico. Em nota, a defesa do oficial contestou a legalidade da prisão, argumentando que a decisão não caberia à Justiça Militar. Antes da detenção, o investigado sustentava que a esposa havia tirado a própria vida após uma discussão, versão posteriormente descartada pelas autoridades com base nas evidências reunidas.
