Cinco dias antes de ser morta, PM Gisele afirmou estar ‘praticamente solteira’ e recebeu ameaça: ‘Nunca será’

Investigação aponta que oficial não aceitava separação e mantinha controle sobre a esposa.

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Cinco dias antes de morrer, a policial militar Gisele Alves Santana afirmou ao marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, que se considerava “praticamente solteira”. A resposta do oficial foi imediata e em tom de ameaça: “Jamais! Nunca será!”. As mensagens, analisadas pela Polícia Civil, indicam que ele não aceitava o fim do relacionamento e tentava impedir a separação.

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O militar foi preso preventivamente na quarta-feira (18), acusado de matar a esposa com um tiro na cabeça após uma discussão no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. Ele está detido no presídio militar Romão Gomes. No mesmo dia, a Justiça o tornou réu por feminicídio e fraude processual.

Mensagens revelam desejo de separação por parte de PM Gisele

De acordo com o Ministério Público de São Paulo, o crime ocorreu em um contexto de abuso psicológico, controle financeiro, machismo e ciúmes. Nas conversas, a vítima deixa clara sua decisão de encerrar o casamento. “Quero o divórcio“, escreveu Gisele para Geraldo. “Se considere divorciado“, completou a militar.

Segundo os investigadores, o teor das mensagens evidencia um comportamento autoritário do oficial, que se autodefinia como “macho alfa” e exigia que a esposa fosse “fêmea beta obediente e submissa”. Ele também tentava limitar a liberdade da vítima, criticando sua independência e impondo restrições sobre suas atitudes.

Acusação aponta execução e tentativa de simular suicídio

A denúncia sustenta que o tenente-coronel matou Gisele “por razões da condição do sexo feminino”, caracterizando feminicídio. De acordo com a acusação, ele teria segurado a cabeça da vítima e efetuado o disparo, o que afasta a hipótese inicial de suicídio. Após o crime, ainda segundo o Ministério Público, o oficial teria alterado a cena para simular que a policial tirou a própria vida. Entre as ações descritas estão a colocação da arma na mão da vítima, ocultação de vestígios e tentativa de eliminar provas. A prisão foi decretada pelo Tribunal de Justiça Militar de São Paulo para garantir a ordem pública e a investigação. O caso deve seguir para julgamento no Tribunal do Júri, já que envolve crime doloso contra a vida. A Promotoria também pede indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima em caso de condenação.