No momento em que foi detido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto apresentou uma mudança significativa em seu relato sobre os fatos que antecederam a morte da esposa, Gisele Alves Santana. Em depoimento, ele declarou que os dois tiveram um momento íntimo pouco antes do ocorrido, o que entra em conflito com versões anteriores dadas ao longo da investigação.
De acordo com a nova narrativa, o casal teria tido uma conversa emocional, relembrando episódios da relação, antes de manter contato íntimo na sala do imóvel. Em seguida, cada um teria se recolhido para um quarto distinto. Essa versão contrasta com o que vinha sendo afirmado anteriormente, de que a relação estava desgastada e sem qualquer proximidade física desde o ano passado.
Perícia reforça inconsistências nos depoimentos de coronel
Os elementos técnicos levantados após a exumação do corpo corroboram a nova declaração. O exame apontou a presença de espermatozoides no canal vaginal da vítima, o que indica a ocorrência de relação sexual recente. Esse resultado passou a ter peso relevante na investigação por confrontar diretamente os relatos anteriores do próprio acusado.
“Lembrando os momentos bons, nos beijamos, tivemos, ali mesmo, no sofá da sala, uma relação sexual, e ali, a gente fez, vou usar o termo, fez amor pela última vez“, diz um trecho do depoimento dado pelo oficial após ser preso pela polícia.
Denúncia aponta feminicídio e tentativa de manipulação
O militar passou à condição de réu, podendo responder por feminicídio qualificado e fraude processual. Segundo o Ministério Público de São Paulo, há indícios de que o crime ocorreu em um contexto de violência doméstica, além de suspeitas de interferência na cena com o objetivo de dificultar a apuração dos fatos. A vítima foi encontrada ferida no apartamento onde morava, no Brás, e chegou a ser socorrida ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu.
