O conteúdo de uma conversa registrada no apartamento onde a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada ainda com vida expõe a dinâmica entre policiais militares e o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. A transcrição integra o inquérito da Polícia Civil e detalha o momento em que ele é questionado sobre sua conduta durante o atendimento da ocorrência.
Segundo o registro, um cabo da PM cobra explicações sobre o fato de o oficial não ter se apresentado de imediato, já que ele havia informado que estava no banho. O tenente-coronel afirma que havia iniciado o chuveiro quando percebeu movimentação no local e diz que se vestiu rapidamente para verificar a situação.
Desobediência do tenente-coronel no caso Gisele Santana
Na sequência da conversa, o cabo reforça a necessidade de agilidade no procedimento. Diante da orientação, o tenente-coronel responde com firmeza e cita sua experiência na corporação ao afirmar: “Irmão, eu tenho 34 anos de serviço. Eu sei o que eu tô falando. Eu vou tomar banho”, segundo a transcrição do inquérito.
O diálogo segue com insistência para que o procedimento fosse agilizado, enquanto o oficial mantém a posição de concluir o banho antes de qualquer deslocamento. O registro indica que a situação gerou impasse entre os policiais presentes no apartamento.
Comportamento do tenente-coronel é investigado
Após alguns minutos, o tenente-coronel deixa o banheiro, organiza seus pertences e segue para a saída do apartamento. O imóvel é isolado logo depois da saída das equipes, conforme consta no inquérito. As autoridades passam a analisar o comportamento registrado no local dentro das investigações sobre a morte da soldado.
Com o avanço das apurações, a Justiça Militar de São Paulo decretou a prisão preventiva do oficial por suspeita de feminicídio e fraude processual. Ele foi detido em São José dos Campos e levado ao presídio Romão Gomes, enquanto o caso segue sob investigação pelas autoridades competentes.
