Preso sob acusação de matar a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto precisou ser encaminhado ao hospital da Polícia Militar, em São Paulo, após relatar uma crise de ansiedade. Mesmo detido, ele mantém a versão de que a companheira teria tirado a própria vida, hipótese que vem sendo contestada por provas técnicas reunidas ao longo da investigação.
De acordo com os laudos periciais, as características do disparo não são compatíveis com um caso de suicídio. Além disso, testemunhas ouvidas afirmaram que Gisele não apresentava comportamentos que indicassem intenção de tirar a própria vida, o que reforça a linha investigativa adotada pelas autoridades.
Relatórios indicam inconsistências em versão apresentada por coronel
Documentos da investigação também apontam divergências no relato do oficial sobre o que teria ocorrido no dia do crime. Ele afirmou que estava no banho quando ouviu o disparo, porém evidências indicam que seu cabelo estava seco logo após o ocorrido e molhado apenas minutos depois, levantando dúvidas sobre a cronologia apresentada.
Outro ponto destacado envolve relatos de testemunhas que mencionaram a existência de imagens que mostrariam o oficial com as mãos no pescoço da vítima. Esses elementos passaram a ser analisados como parte do conjunto de indícios que sustentam a suspeita de feminicídio.
Mensagens e ligações reforçam linha de investigação
A análise do celular do acusado revelou trocas de mensagens que indicariam um relacionamento marcado por controle e desgaste emocional. Em conversas, a vítima teria manifestado intenção de se separar, diante do comportamento considerado possessivo do marido. Segundo relatório da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, após o disparo, o oficial realizou diversas ligações antes de acionar o socorro. Entre os contatos, estão chamadas para um superior hierárquico e para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan. O pedido de ajuda à polícia, por meio do 190, só ocorreu posteriormente.
