As câmeras corporais de policiais militares registraram os momentos seguintes ao disparo que matou a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, em São Paulo. O marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi preso e responde por feminicídio e fraude processual. Ele nega ter cometido o crime.
O relatório da Polícia Civil, anexado ao inquérito, reúne transcrições das conversas dos PMs e imagens das câmeras de segurança do prédio. Em um dos registros, Neto aparece sem camisa, sentado no chão, mexendo no celular, e depois tenta entrar no apartamento, sendo impedido por colegas de farda.
Comportamento do tenente-coronel
Durante a ocorrência, Neto insistiu em tomar banho antes de ir à delegacia, o que gerou desconfiança entre os policiais. Em diálogo registrado, ele afirmou que não estava bem e precisava se trocar. Os militares tentaram impedir, mas o oficial se dirigiu ao banheiro e permaneceu lá por alguns minutos, contrariando a ordem de preservação do local.
Após sair, já vestido com calça jeans, tenente-coronel voltou a falar sobre o relacionamento com a esposa e declarou que o casal vinha enfrentando “muito atrito”. Ele também relatou que arcava sozinho com as despesas da casa e que fazia transferências bancárias para Gisele.

Imagens das câmeras dos PMs
As gravações de segurança mostram que, entre 08h02 e 08h11, Neto apareceu primeiro com cabelo seco e depois molhado, levantando suspeita de que teria simulado estar no banho. O relatório aponta que, mesmo após a retirada da vítima em estado grave, o oficial permaneceu sentado no corredor, sem se aproximar para acompanhar o socorro.
