Uma operação de fiscalização resultou na interdição de uma casa de repouso que operava de forma clandestina em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, nesta quarta-feira (25). A ação ocorreu após o resgate de uma mulher de 86 anos que apresentava um quadro severo de infecção na cavidade bucal provocado pela presença de larvas. A paciente foi inicialmente encaminhada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na zona oeste da cidade e, devido à gravidade da situação, precisou ser transferida para a Santa Casa de Misericórdia, onde foi submetida a uma intervenção cirúrgica na quinta-feira (26).
O estado de saúde da idosa mobilizou as equipes médicas logo na triagem inicial. Relatos de profissionais de saúde indicam que os parasitas atingiram a gengiva e avançaram até a estrutura óssea nasal, sugerindo que a paciente ficou privada de cuidados básicos de higiene por um tempo prolongado. Uma funcionária da unidade hospitalar, que optou pelo anonimato, descreveu o impacto do atendimento inicial ao observar a condição da paciente. Segundo o depoimento, “a hora que a gente abriu a boca dela, meu Deus, é uma visão que não gosto nem de lembrar, é surreal, uma coisa que dói na alma”.
Irregularidades administrativas e resgate de residentes
A Vigilância Sanitária e as autoridades locais constataram que o estabelecimento não possuía alvará de funcionamento ou qualquer tipo de autorização legal para prestar serviços de acolhimento a pessoas da terceira idade. Durante a inspeção que culminou no fechamento do local, os agentes encontraram outros 11 residentes vivendo no abrigo ilegal. Todos os idosos foram retirados do imóvel e direcionados para exames clínicos e avaliações médicas detalhadas para verificar se também sofriam de negligência ou problemas de saúde não tratados.
Os responsáveis pela administração da casa de repouso foram notificados sobre a interdição imediata das atividades. De acordo com as normas vigentes, os gestores do espaço possuem um prazo de dez dias para tentar regularizar a documentação e as condições estruturais perante os órgãos competentes, embora o local permaneça impedido de receber novos residentes ou manter os atuais durante este período. O caso segue sob acompanhamento das autoridades municipais para apurar as responsabilidades civis e criminais relacionadas ao tratamento dispensado aos internos.
Procedimentos hospitalares e assistência social
Atualmente, a idosa de 86 anos permanece em processo de recuperação hospitalar sob monitoramento constante da equipe cirúrgica e clínica. A assistência social da prefeitura e os órgãos de proteção ao idoso foram acionados para garantir o suporte necessário aos demais resgatados, assegurando que sejam encaminhados para abrigos regulares ou devolvidos aos cuidados de seus familiares. A investigação busca agora identificar há quanto tempo o local operava sem fiscalização e quais eram as condições reais de alimentação e suporte médico oferecidas aos residentes do abrigo clandestino.
