Coronel apagou mensagens sobre divórcio do celular da PM Gisele enquanto ela agonizava com tiro na cabeça

Perícia identificou que o aparelho da soldado foi manuseado minutos após o crime, contradizendo a versão inicial do marido.

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A investigação conduzida pela Polícia Civil sobre o falecimento da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana revelou que o aparelho celular da vítima foi desbloqueado e manuseado minutos após ela ser atingida por um disparo na cabeça. O principal suspeito é o seu marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, que foi preso preventivamente e tornou-se réu por crime contra mulher e fraude processual.

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Embora o oficial tenha alegado inicialmente que a esposa tirou a própria vida após um desentendimento conjugal, laudos periciais e a análise de dados digitais descartaram essa hipótese, apontando para uma ação deliberada do marido no apartamento do casal, localizado no Brás, região central de São Paulo.

Cronograma de registros feitos pelo coronel

Os registros técnicos indicam que o celular de Gisele registrou o último desbloqueio às 7h58min18s do dia 18 de fevereiro. No entanto, o tenente-coronel já havia acionado o serviço de emergência 190 às 7h54min58s, momento em que a soldado já estava ferida. Além disso, a perícia constatou que mensagens trocadas entre o casal no dia anterior ao ocorrido foram deletadas do aparelho do oficial, mas permaneciam registradas no dispositivo da vítima.

Nas conversas recuperadas, Gisele mencionava o desejo de separação, afirmando: “Pode entrar com pedido essa semana“. Para os investigadores, a exclusão desses dados visava sustentar a narrativa de que o oficial detinha o controle sobre a decisão do divórcio.

Evidências de comportamento controlador e registros periciais

Relatos colhidos de colegas de farda da soldado descrevem um histórico de conduta agressiva por parte do tenente-coronel no ambiente de trabalho. Testemunhas mencionaram episódios em que o oficial teria segurado a esposa pelos braços contra a parede e situações de sufocamento registradas por câmeras de segurança do quartel. Policiais militares afirmaram que Gisele apresentava uma mudança nítida de comportamento na presença do marido, tornando-se reservada e demonstrando tensão emocional. O padrão de controle estendia-se a detalhes cotidianos, como o ajuste da farda e o uso de cosméticos, gerando um estado de vigilância constante sobre a rotina da soldado. O processo segue na Justiça de São Paulo, onde os laudos de reprodução simulada e as análises das câmeras corporais dos agentes de segurança servem como pilares para a acusação.