A diferença salarial entre a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana e o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, passou a ser um dos pontos analisados na investigação sobre a morte da policial, ocorrida em São Paulo. Dados do Portal da Transparência indicam que o oficial recebia R$ 30.861,87, enquanto Gisele tinha um salário de R$ 7.222,33, valor cerca de quatro vezes menor.
Segundo informações reunidas pela investigação, a disparidade financeira teria contribuído para um cenário de dependência econômica dentro do relacionamento. Em depoimento, o próprio tenente-coronel afirmou que a esposa enfrentava dificuldades para se manter sozinha, o que teria sido um dos obstáculos para a separação do casal, mesmo após conversas sobre o fim do casamento.
Fator financeiro na vida do casal
Além da questão financeira, testemunhas relataram um ambiente marcado por controle e restrições impostas pelo oficial. De acordo com os depoimentos, Gisele era impedida de trabalhar com colegas homens e tinha sua rotina monitorada, inclusive fora do ambiente profissional. Há também relatos de que o tenente-coronel acompanhava a esposa em atividades pessoais, como idas à academia, demonstrando comportamento considerado possessivo.
A investigação também destaca que o oficial já havia sido alvo de denúncias anteriores por abuso de autoridade, o que reforça a análise sobre o uso da hierarquia como forma de dominação. O Tribunal de Justiça Militar apontou que a posição do tenente-coronel poderia ter sido utilizada para exercer pressão psicológica sobre a vítima, tanto no trabalho quanto na vida pessoal.
Tenente-coronel está preso
Com o avanço das apurações, a morte de Gisele passou a ser tratada como feminicídio, após laudos descartarem a hipótese de suicídio. A Justiça determinou a prisão preventiva do tenente-coronel na quarta-feira (18), e o caso segue sob investigação. A análise do contexto financeiro e comportamental do relacionamento é considerada essencial para esclarecer as circunstâncias do crime.
