As autoridades sanitárias do Reino Unido manifestaram preocupação com o crescimento expressivo de diagnósticos de infecções intestinais causadas pela bactéria shigella. De acordo com informações da Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA), foram contabilizados 2.560 casos em 2025, um índice superior aos registros de 2023 e 2024, que somaram 2.052 e 2.318 ocorrências, respectivamente.
O microrganismo, que se aloja no trato intestinal, é transmitido pelo contato com resíduos fecais, o que pode ocorrer durante a atividade sexual ou por meio de mãos que não foram devidamente higienizadas.
A patologia apresenta sintomas que surgem em um intervalo de um a quatro dias após a exposição, englobando quadros de diarreia, que podem conter sangue, além de dores abdominais e episódios febris. Devido às características das manifestações clínicas, a condição é frequentemente confundida com intoxicação alimentar comum. Segundo a UKHSA, as linhagens associadas à transmissão sexual têm afetado majoritariamente o público de homens gays e bissexuais, exigindo atenção redobrada deste grupo para a identificação precoce dos sinais da enfermidade.
Resistência bacteriana e desafios no tratamento clínico
O cenário epidemiológico é agravado pela elevada capacidade de resistência da bactéria aos medicamentos de controle especial disponíveis no mercado. Em 2025, os testes laboratoriais indicaram que 86% das amostras de Shigella sonnei e 94% das de Shigella flexneri apresentaram resistência aos antibióticos convencionais. O relatório técnico destaca que mais de 50% dos casos de Shigella sonnei foram catalogados como extensivamente resistentes, o que limita as opções terapêuticas em situações de maior gravidade clínica.
Embora a maior parte dos pacientes consiga se recuperar apenas com repouso e hidratação adequada, os quadros severos demandam intervenção medicamentosa específica. A chefe da área de infecções sexualmente transmissíveis da UKHSA, Katy Sinka, ressaltou em comunicado oficial que “o aumento de casos de shigella transmitida sexualmente é preocupante, mas os riscos de pegá-la podem ser reduzidos com boa higiene durante e após o sexo e uso de preservativo, ajudando a proteger você e seus parceiros”.
Prevenção e protocolos de saúde pública
As diretrizes de saúde pública recomendam que indivíduos diagnosticados com a bactéria realizem exames complementares para outras infecções, uma vez que a exposição pode ter ocorrido de forma simultânea. Conforme pontuou a médica Katy Sinka, “quem recebe diagnóstico de shigella também pode ter sido exposto a outras infecções sexualmente transmissíveis, incluindo HIV, então é recomendável fazer um check-up de saúde sexual”. A orientação médica é que os pacientes evitem qualquer contato sexual por um período de até sete dias após o desaparecimento total dos sintomas.
Para mitigar a propagação do agente infeccioso, as autoridades reforçam a necessidade de manter protocolos rigorosos de assepsia pessoal. A recomendação central foca na lavagem das mãos e no uso constante de métodos de barreira durante as relações. Além disso, a agência britânica enfatiza que “é importante que homens gays e bissexuais não descartem seus sintomas”, buscando auxílio profissional assim que as primeiras alterações intestinais forem notadas, garantindo o monitoramento necessário para evitar complicações sistêmicas.
