Acusado de ser o autor do disparo que tirou a vida da soldado da Polícia Militar do Estado de São Paulo Gisele Alves Santana, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, pertencente à mesma corporação, teve a sua aposentadoria com vencimentos integrais publicada no Diário Oficial do Estado.
Para se ter uma dimensão dos valores do benefício, dados do Portal da Transparência indicam que, em fevereiro deste ano, exato mês em que a tragédia ocorreu, o oficial recebeu um salário bruto de R$ 28.946,81, além de um abono de R$ 2.995,43.
Para efeitos de comparação, Gisele recebia uma remuneração mensal de R$ 7.222,33 em seu cargo de soldado. Assim, os vencimentos dela estavam na ordem de 1/4 em comparação aos do esposo.
Demissão de Geraldo passa a ser discutida
Apesar da concessão da aposentadoria, o caso segue desdobramentos administrativos e criminais. Em paralelo à publicação, o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, determinou a abertura de um conselho para avaliar a viabilidade da demissão do oficial dos quadros da corporação.
Caso segue sendo investigado
No âmbito da investigação, a versão inicial apresentada por Geraldo de que Gisele teria cometido um autoextermínio foi rechaçada. Os laudos periciais e as provas colhidas até o momento colocaram em xeque a narrativa do tenente-coronel, alçando-o ao posto de principal suspeito e reclassificando o episódio como um caso de feminicídio. Diante das evidências, ele teve a prisão preventiva decretada e permanece detido à disposição da Justiça enquanto as apurações seguem em andamento.
