A Polícia Militar de São Paulo colocou na reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob acusação de feminicídio pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana. A decisão foi publicada na quinta-feira (2) por meio de portaria assinada pela Diretoria de Pessoal da corporação.
Mesmo com a prisão, o oficial terá direito à aposentadoria proporcional, com vencimentos considerados integrais dentro dos critérios legais. Antes de ser detido, ele recebia cerca de R$ 28,9 mil brutos, valor que deve cair para aproximadamente R$ 21 mil após a passagem para a inatividade.
Advogado se manifestou em nome da família da PM Gisele
O pedido de aposentadoria foi feito pelo próprio tenente-coronel poucos dias antes da publicação oficial, o que chamou a atenção da defesa da família da vítima. A rapidez no processo gerou questionamentos sobre tratamento diferenciado dentro da corporação.
O advogado José Miguel da Silva Júnior criticou a situação e apontou possível privilégio. “Causou espécie a nós a celeridade da corporação [PM] em aposentá-lo. Tenho notícias que entraram com esse pedido e, em menos de uma semana e hoje foi publicado no Diário Oficial”, disse.
Advogado acredita em demissão da PM
Ele também afirmou que a concessão do benefício não impede eventuais punições administrativas futuras. “Essa aposentadoria não vai barrar o conselho de justificação que vai demiti-lo. Nós temos convicção disso”, afirmou. O caso segue em investigação e também deve ser analisado em âmbito disciplinar.

