Mais um Bolsonaro preso? Moraes aperta o cerco e vota pela condenação do filho do ex-presidente

Ministro do Supremo Tribunal Federal proferiu decisão em queixa-crime sobre declarações envolvendo projeto de distribuição de absorventes.

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, proferiu seu voto a favor da condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro no âmbito de uma queixa-crime por difamação. A ação judicial foi movida pela também deputada federal Tabata Amaral, em decorrência de publicações realizadas nas redes sociais no ano de 2021. O magistrado, que atua como relator do caso na Primeira Turma da Corte, considerou que as declarações do parlamentar ultrapassaram os limites da imunidade material garantida aos membros do Congresso Nacional.

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O processo teve origem após Eduardo Bolsonaro compartilhar mensagens afirmando que o projeto de lei de autoria de Tabata Amaral, focado na distribuição de itens de higiene menstrual em escolas públicas, teria o objetivo de beneficiar financeiramente o empresário Jorge Paulo Lemann. A defesa da parlamentar argumentou que as postagens configuraram ofensas diretas à sua honra e reputação política, motivando a abertura da ação penal no STF para apurar a conduta do filho de Jair Bolsonaro.

Voto de Alexandre de Moraes sobre Eduardo Bolsonaro no STF

Em sua argumentação jurídica, o relator destacou que a liberdade de expressão e a imunidade parlamentar não podem ser utilizadas como escudo para a prática de crimes contra a honra. Moraes pontuou que as acusações feitas nas plataformas digitais não possuíam relação direta com o exercício do mandato legislativo, caracterizando um ataque pessoal desvinculado do debate político legítimo. O voto do ministro estabelece o início da deliberação da Primeira Turma, que definirá o desfecho da queixa-crime.

O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte, formato em que os magistrados inserem seus votos no sistema eletrônico durante um período pré-determinado. A defesa de Eduardo Bolsonaro, ao longo do processo, sustentou que as falas do parlamentar estavam protegidas pela inviolabilidade civil e penal por opiniões, palavras e votos, prerrogativa prevista na Constituição Federal.

Impacto do processo de Tabata Amaral contra Eduardo Bolsonaro

A resolução deste embate jurídico estabelece precedentes sobre os limites das declarações de figuras públicas em redes sociais e a aplicação da imunidade parlamentar. A queixa-crime por difamação segue em análise pelos demais integrantes do colegiado, que incluem os ministros Cármen Lúcia, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Flávio Dino. O resultado final da votação determinará se o ex-deputado federal sofrerá sanções penais pelas publicações direcionadas à autora do projeto de lei voltado à dignidade menstrual.