Ginecologista preso em Goiânia após 23 denúncias agia na frente da filha de paciente; ’23 vítimas’

O Conselho Regional de Medicina suspendeu o registro do profissional, que atuava em clínicas de Goiás desde 2017.

PUBLICIDADE

A Polícia Civil efetuou a detenção preventiva do ginecologista Marcelo Arantes e Silva, de 50 anos, em Goiânia. O profissional é investigado por suspeita de cometer atos de violência íntima contra mulheres durante consultas. Inicialmente, cinco pessoas procuraram a Delegacia da Mulher, mas o avanço das apurações elevou o número de possíveis vítimas para 23. Os episódios teriam ocorrido ao longo de quase uma década, com registros desde 2017, na capital goiana e em Senador Canedo.

PUBLICIDADE

Segundo os investigadores, o médico adotava uma postura considerada “carinhosa” para conquistar a confiança das pacientes. Os depoimentos apontam que ele realizava abraços e beijos incomuns na prática médica, além de toques sem consentimento. O padrão de comportamento acontecia frequentemente quando as pessoas iam para a sala de procedimentos. Há relatos de exames sem luvas e comentários de cunho sexual, incluindo uma denúncia de que um ato ocorreu na presença da filha adolescente da vítima.

Investigação sobre o ginecologista Marcelo Arantes e Silva

Durante o interrogatório na delegacia, o suspeito optou por permanecer em silêncio e foi transferido para o sistema prisional. A defesa declarou que ele é inocente das acusações. As autoridades mantêm as investigações em andamento e trabalham com a possibilidade de surgimento de novos relatos após a repercussão do fato. O inquérito busca reunir mais elementos probatórios e ouvir outras pessoas que possam ter passado por situações semelhantes nos locais onde ele atendia.

Em resposta às denúncias, o Conselho Regional de Medicina de Goiás comunicou a suspensão do registro profissional do médico. O órgão instaurou um procedimento interno para apurar a conduta ética do especialista, processo que tramita sob sigilo. Paralelamente às medidas do conselho, a clínica particular responsável por empregar o profissional anunciou o seu desligamento imediato do quadro de funcionários assim que as primeiras acusações vieram a público.

Denúncias de violência íntima em clínicas de Goiânia

A decretação da prisão preventiva pela Justiça foi fundamentada na gravidade dos relatos e no volume de denúncias formalizadas. A Polícia Civil continua a mapear o histórico de atendimentos do especialista na região metropolitana para identificar a extensão das práticas. O caso segue sob análise das autoridades, que orientam outras possíveis vítimas a procurarem as unidades de segurança pública para registrar boletins de ocorrência e auxiliar na conclusão do inquérito.