A Argentina aparece com ampla vantagem como o país mais endividado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo dados atualizados recentemente pela própria instituição. O volume chega a cerca de 41,8 bilhões de SDR, o equivalente a aproximadamente US$ 57 bilhões a US$ 60 bilhões, colocando o país em uma posição isolada no topo do ranking global.
Esse montante representa quase 35% de todo o crédito outstanding do FMI, ou seja, do total ainda devido pelos países ao Fundo. Na sequência, aparecem nações que enfrentam cenários críticos, como Ucrânia, Egito, Paquistão e Equador, todos com dívidas significativamente menores.
Crises econômicas explicam ranking do FMI
A lista é composta majoritariamente por países que enfrentam guerras, instabilidade cambial ou dificuldades severas em honrar compromissos externos. Após os cinco primeiros colocados, surgem economias como Costa do Marfim, Angola, Bangladesh, Gana e Quênia, todas com desafios estruturais relevantes.
O total global de empréstimos ativos do FMI gira em torno de 120,7 bilhões de SDR. Especialistas explicam que o Fundo atua como um “emprestador de última instância”, sendo acionado quando há escassez de dólares, risco de calote ou queda nas reservas internacionais, o que faz com que posições elevadas nesse ranking indiquem vulnerabilidade econômica.
Histórico de dependência e o caso brasileiro
A relação da Argentina com o FMI é marcada por ciclos repetidos de crise. Desde a década de 1950, o país já firmou mais de 20 acordos com a instituição. O maior salto ocorreu em 2018, durante o governo Mauricio Macri, quando foi aprovado um pacote recorde de cerca de US$ 57 bilhões.
Posteriormente, novos acordos foram firmados para refinanciamento, incluindo um em 2022 e outro em 2025, já sob Javier Milei, no valor de aproximadamente US$ 20 bilhões. Esses programas buscaram reorganizar pagamentos e sustentar ajustes fiscais em meio a instabilidade.
O Brasil, por outro lado, não aparece no ranking. O país quitou sua dívida com o FMI em 2005, durante o primeiro governo Lula, pagando antecipadamente cerca de US$ 15 bilhões. Desde então, mantém reservas internacionais elevadas, superiores a US$ 350 bilhões, e depende menos de crédito emergencial externo, concentrando sua dívida no mercado interno.

