O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, no Dia do Trabalhador, a nova fase do Desenrola Brasil 2.0, focada na renegociação de dívidas com abatimentos que podem chegar a 90%. A iniciativa abrange débitos de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e FIES, com juros de até 1,99% ao mês e parcelamento em até quatro anos.
A proposta mira brasileiros com renda de até cinco salários mínimos e dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos. Os descontos variam conforme o tempo de inadimplência, podendo alcançar entre 40% e 90%. O governo prevê ainda carência de até um mês para o início dos pagamentos e retirada do nome dos cadastros negativos após adesão.
Regras rígidas e impacto social: o que muda na prática
Outro ponto que chama atenção é a autorização para uso de até 20% do FGTS na quitação das dívidas. Além disso, quem aderir ao programa ficará impedido por um ano de acessar plataformas de apostas online. Lula afirmou que considera injusto que mulheres tenham que trabalhar mais para cobrir dívidas relacionadas a jogos, destacando que o governo pretende limitar os impactos negativos dessas atividades.
Para viabilizar o programa, estão previstos entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões no Fundo Garantidor de Operações, além de cerca de R$ 4,5 bilhões liberados do FGTS. A expectativa é aliviar o orçamento familiar e reduzir o endividamento, especialmente em linhas com juros elevados.
FGTS, dívidas e bets: solução econômica ou controle excessivo?
A reformulação do Desenrola Brasil surge como tentativa de ampliar o alcance da política anterior e estimular a recuperação financeira das famílias. Ao mesmo tempo, medidas como o bloqueio em apostas e uso do FGTS devem seguir gerando discussões sobre liberdade econômica e proteção social.

