A detenção de um jovem de 22 anos, investigado por violência sexual contra uma garota de 12 anos em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba, gerou reações na família da vítima. O episódio ganhou notoriedade após os parentes descobrirem os atos por meio de um aplicativo de inteligência artificial. A criança utilizou a ferramenta digital para buscar orientações sobre a situação que vivenciava em seu ambiente doméstico. A mãe da menor relatou o sentimento após a captura do indivíduo: “Ontem era choro de agonia, de saber que ele fez tudo aquilo com ela e estava em liberdade. Hoje a gente ainda está chorando, ainda tem dor, tem sofrimento, mas um pouco mais aliviado”.
As apurações indicam que o investigado mantinha um noivado com a tia da garota e que a violência íntima teria iniciado em dezembro de 2025, época em que a vítima possuía 11 anos. A revelação ocorreu no último final de semana, quando os familiares leram uma interação da menor com a inteligência artificial, na qual ela perguntava se “não estaria atrapalhando o casamento da tia”. A plataforma respondeu isentando a criança de responsabilidade, o que despertou a desconfiança imediata dos parentes. Em seguida, mensagens de cunho adulto enviadas pelo homem foram localizadas no aparelho celular da menina.
Reação do suspeito e papel da inteligência artificial no Paraná
Ao ser questionado pelos familiares sobre as mensagens, o homem tentou minimizar a situação para evitar chamar a atenção da vizinhança. A tia da vítima detalhou o momento da descoberta: “Na hora, eu já confrontei ele. Ele me pediu para parar de fazer escândalo, que minha mãe ia acordar”. Inicialmente, o indivíduo foi detido em flagrante, porém recebeu alvará de soltura horas depois, mediante parecer favorável do Ministério Público e decisão judicial que descartou risco iminente. A proximidade da residência do investigado gerou temor na família, que questionou a liberação provisória diante da confissão dos atos aos agentes de segurança.
A mãe da criança expressou indignação com a soltura temporária do ex-noivo da cunhada, ressaltando o impacto direto na rotina escolar e pessoal da filha. “É inadmissível a minha filha se sentir coagida, se sentir presa dentro de casa. Quando a gente soube que ele foi solto, até então, antes das 11 da manhã, ela queria ir pra aula. Depois ela não quis mais ir porque ele mora muito próximo. Como ele confessa o ato e não é um perigo para a sociedade? Ele já foi um risco para minha filha”. Quatro dias após a liberação, o Ministério Público alterou o posicionamento, ofereceu denúncia por violência sexual de vulnerável e requereu a prisão preventiva, que foi deferida pelo Judiciário.
Consequências da violência sexual e andamento do caso em São José dos Pinhais
O inquérito policial aponta que o homem utilizava ameaças para garantir o silêncio da menor durante os meses em que os crimes ocorreram. A delegada encarregada do caso confirmou o indiciamento por violência sexual de vulnerável em continuidade delitiva e também pelo crime de ameaça. A tia da garota explicou as consequências psicológicas deixadas pelo convívio com o agressor: “Ela é tão inocente que ela disse: ‘Tia, ele pode viver a vida dele fora daqui, é só ele nunca mais me ver’. Ela tem dó dele, porque ele conseguiu fazer um estrago inimaginável na cabeça dela. Ela ainda se sente culpada, e essa culpa foi ele quem colocou na cabeça dela”. A vítima encontra-se sob amparo familiar e recebe acompanhamento especializado.

