O inquérito sobre o caso Benício, menino de seis anos que faleceu em novembro de 2025 após receber dosagem incorreta de adrenalina, trouxe novos desdobramentos. A investigação revelou que a médica responsável utilizava o celular para vender maquiagem enquanto o paciente piorava na sala vermelha. A profissional negociava valores e formas de pagamento de cosméticos pelo aplicativo WhatsApp durante o período crítico do atendimento pediátrico.
O comportamento da profissional de saúde foi detalhado pelas autoridades policiais. O delegado Marcelo Martins, responsável por conduzir as apurações, declarou que ela agiu como se ela não estivesse ali com um paciente lutando pela vida. A indignação também foi compartilhada pela mãe do garoto, Joyce Xavier, que acompanhava a situação: “Enquanto meu filho precisava de ajuda, ela estava ao celular, vendendo cosméticos, ignorando tudo o que estava acontecendo”.
Investigação do caso Benício e mensagens de Juliana Brasil
A criança chegou ao hospital com suspeita de laringite, momento em que a médica Juliana Brasil prescreveu três doses de adrenalina. A recomendação registrada foi para aplicação endovenosa, procedimento questionado pela família, mas executado pela técnica de enfermagem. Em mensagens enviadas ao diretor de plantão, a profissional admitiu a falha. Na mesma conversa, ela completou: “Prescrevi inalação com adrenalina e acabaram fazendo ‘ev’ (endovenosa). O paciente está passando mal, ficou todo amarelo. Pede para alguém da UTI descer. Urgente”.
A Polícia Civil decidiu pelo indiciamento da médica por dolo eventual, caracterizado quando o indivíduo assume o risco de tirar a vida, além de possíveis acusações por fraude processual e falsidade ideológica. O inquérito responsabilizou outros profissionais pelo atendimento que resultou no falecimento do garoto na madrugada do dia 23 de novembro. A técnica de enfermagem que administrou a injeção e dois diretores da instituição hospitalar também foram responsabilizados formalmente pelas autoridades competentes.
Consequências legais para a equipe após o falecimento de Benício
O processo investigativo segue agora para análise do Ministério Público, que avaliará todas as provas colhidas, incluindo as trocas de mensagens e os prontuários. A documentação anexada demonstra a linha do tempo exata, desde a entrada do paciente com dificuldades respiratórias até a administração da substância diretamente na veia. O registro de uso do aparelho celular da médica durante a emergência tornou-se a peça central da investigação para determinar a responsabilidade criminal de todos os envolvidos no atendimento.

