O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a policial militar Gisele Alves, passou a responder a um processo administrativo dentro da Polícia Militar de São Paulo que pode resultar em sua expulsão da corporação. O procedimento, conhecido como Conselho de Justificação, analisa se o oficial ainda possui condições morais e funcionais para permanecer na instituição, mesmo estando atualmente aposentado.
A abertura do processo ocorreu após decisão da Secretaria da Segurança Pública, publicada oficialmente no fim de março. Desde então, a fase de instrução vem sendo conduzida com a coleta de depoimentos e análise de provas. Na segunda-feira (4), foi confirmado que novas audiências ocorrerão nos dias segunda-feira (11) e quinta-feira (14), com testemunhas sendo ouvidas por videoconferência.
Justiça comum
Paralelamente ao processo administrativo, o oficial também responde na Justiça comum por feminicídio e fraude processual. Segundo o Ministério Público, ele teria assassinado a esposa com um tiro na cabeça e, em seguida, tentado simular um suicídio. A defesa sustenta outra versão e afirma que a própria vítima teria tirado a vida após um conflito conjugal, tese que é contestada pelas investigações.
Aposentadoria
Atualmente preso desde terça-feira (18), o tenente-coronel está no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. Mesmo aposentado desde quarta-feira (2), ele continua recebendo remuneração mensal que gira em torno de R$ 28,9 mil. Caso o Conselho de Justificação conclua pela incompatibilidade com a função, ele pode perder o posto, a patente e também o direito ao salário.
Especialistas explicam que o processo administrativo não julga diretamente o crime, mas sim a conduta do oficial dentro da corporação. “O Conselho de Justificação é muito parecido como um julgamento propriamente dito. A diferença é que aqui é uma esfera administrativa disciplinar. Não vai ser avaliada a conduta do assassinato, mas a fraude processual por usar a patente para intimidar subordinados durante a ocorrência da morte da esposa”, disse o advogado do caso, Gabriel Teixeira.

