Um dos religiosos mais ouvidos do país, Frei Gilson da Silva Pupo Azevedo passou a ser alvo de uma análise preliminar do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A apuração mira em supostas declarações discriminatórias feitas em homilias, entrevistas e publicações nas redes sociais. O órgão vai decidir se abre investigação formal ou arquiva o pedido nos próximos dias.
A representação foi protocolada pelo jornalista e escritor Brendo Silva, que se identifica como ex-noviço da congregação ligada ao religioso. Segundo o documento, Frei Gilson teria utilizado termos considerados ultrapassados para se referir à homossexualidade, além de associar pessoas LGBT+ a expressões como “desordem” e “contrariedade à lei natural”. O texto também aponta falas que colocariam mulheres em posição inferior dentro de discursos religiosos.
O que está em jogo no caso de Frei Gilson
A análise inicial cabe ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), unidade do MPSP responsável por avaliar denúncias de discriminação. A equipe examina o conteúdo e o contexto dos vídeos citados, ouve o autor da representação e cruza referências legais antes de bater o martelo. O caso pode resultar em arquivamento, em pedido de complementação de provas ou em abertura formal de inquérito.
Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a homofobia e a transfobia passem a ser enquadradas nos mesmos moldes do crime de racismo. Em São Paulo, a Lei 10.948/2001 também prevê punições administrativas para práticas discriminatórias relacionadas à orientação sexual. A combinação dos dois marcos é o que sustenta a análise técnica do MPSP no caso.
O peso público de Frei Gilson e o que vem agora
Frei Gilson é hoje uma das vozes católicas com maior alcance digital no Brasil, com público estimado em milhões de seguidores entre redes sociais e plataformas de streaming. O religioso ainda não comentou publicamente a representação. Caso o MPSP entenda que há indícios suficientes, a investigação pode avançar com pedidos de depoimento, perícia em vídeos e oitiva de testemunhas. O desfecho deve sair nas próximas semanas e tem potencial de balançar o cenário religioso brasileiro.

