Um documento mantido sob sigilo por sete anos voltou ao centro do caso Epstein nesta quarta-feira (6). A Justiça dos Estados Unidos tornou pública uma suposta carta de suicídio atribuída ao financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e encontrado sem vida em uma cela de Nova York, em 2019. A divulgação aconteceu depois que o jornal The New York Times entrou com um pedido judicial pela liberação do material.
A autenticidade do bilhete ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades americanas. No texto, o tom é de desabafo e negação das acusações que pesavam contra o financista. “Eles me investigaram por meses — NÃO ENCONTRARAM NADA”, diz um dos trechos divulgados pela imprensa norte-americana.
Bilhete atribuído a Jeffrey Epstein teria sido escondido em livro
Segundo informações do The New York Times, a carta foi encontrada em julho de 2019 por Nicholas Tartaglione, ex-companheiro de cela. O papel amarelo, arrancado de um bloco de notas, estaria escondido dentro de um livro de histórias em quadrinhos. Naquele mesmo período, Epstein chegou a ser encontrado inconsciente na cela com um pedaço de pano enrolado no pescoço, mas sobreviveu. Semanas depois, foi achado sem vida na prisão.
Tartaglione afirmou em entrevistas que decidiu guardar o documento por receio de futuras acusações ligadas ao episódio. Os advogados dele chegaram a contratar peritos em caligrafia para tentar comprovar a autoria do texto. Mesmo com esse esforço, o Departamento de Justiça nunca confirmou oficialmente que o bilhete foi realmente escrito por Epstein.
Caso Epstein segue cercado de dúvidas, mesmo após anos de investigação
A carta também não entrou nos relatórios oficiais sobre a morte do financista, incluindo a apuração concluída em 2023 pelo Gabinete do Inspetor-Geral do Departamento de Justiça. Antes de morrer, Epstein declarou às autoridades penitenciárias que não tinha tendências suicidas e ainda acusou Tartaglione de agressão dentro da prisão. Acusado de comandar um esquema internacional envolvendo menores de idade, o financista mantinha relações com empresários, políticos e celebridades, e sua morte segue alvo de teorias desde 2019.

