Autoridades sanitárias monitoram um surto de hantavírus em um cruzeiro que partiu da Argentina no último mês. A infecção resultou no falecimento de três passageiros do navio MV Hondius, enquanto quatro pessoas foram evacuadas para tratamento médico. A Oceanwide Expeditions, operadora da viagem, confirmou a ausência de brasileiros a bordo. O caso mobiliza agências de saúde para rastrear indivíduos expostos ao patógeno.
A variante causadora das infecções é a cepa andina, que permite o contágio entre humanos em ambientes fechados, diferentemente de outras formas do vírus transmitidas apenas por fluidos de roedores. O compartilhamento de cabines facilitou a propagação. A médica Maria Van Kerkhove, da Organização Mundial da Saúde (OMS), descartou uma crise global. “Isso não é covid, não é influenza, e se propaga de forma muito, muito diferente”, afirmou.
Rastreamento de passageiros do navio MV Hondius
O rastreamento envolve viajantes que desembarcaram na ilha de Santa Helena e seguiram em voos para países como Reino Unido, Estados Unidos e Holanda. O oficial de ciências chefe da Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA), Robin May, classificou a busca como “um esforço hercúleo” e ressaltou que a ação “irá continuar… por algum tempo”. Uma das vítimas holandesas dividia a cabine com o marido, que também faleceu na viagem.
O período de incubação pode chegar a seis semanas, indicando a possibilidade de novos diagnósticos. A infecção causa sinais como febre, dores musculares, dificuldades respiratórias e problemas gastrointestinais. Atualmente, o MV Hondius navega rumo às ilhas Canárias, após passar por limpeza profunda e isolar os passageiros restantes. A operadora informou que nenhum dos ocupantes atuais da embarcação apresenta sinais clínicos da doença.
Risco do surto de hantavírus para a população
Especialistas reforçam que a propagação não ocorre facilmente em espaços públicos, exigindo contato próximo e prolongado. Para quem não teve ligação com a embarcação, Robin May garantiu que “o risco, aqui, é realmente insignificante”. A vice-diretora de infecções emergentes da UKHSA, Meera Chand, declarou que “é importante tranquilizar as pessoas de que o risco para a população em geral permanece muito baixo“. Ela concluiu afirmando: “Estamos rastreando todas as pessoas que possam ter estado em contato com o navio ou com os pacientes de hantavírus, para limitar o risco de continuidade da transmissão”.

