Uma soldado da Polícia Militar de São Paulo denunciou o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto por assédio sexual, perseguição e pressão psicológica dentro da corporação. O oficial, de 53 anos, já está preso preventivamente acusado de matar a própria esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça em fevereiro deste ano.
Agora, uma nova denúncia apresentada à Corregedoria da PM aponta que ele teria usado o cargo para pressionar e perseguir uma subordinada. Segundo o relato da policial, o coronel enviava mensagens insistentes pelo WhatsApp e chegou a aparecer diversas vezes no condomínio onde ela mora. Em uma das ocasiões, Neto teria ido até o local levando flores.
Em outra, foi flagrado por câmeras de segurança usando farda e viatura oficial durante o expediente. Nas mensagens anexadas à denúncia, ele dizia que “a queria para ele”, sugeria um relacionamento “em off” e afirmava que queria beijá-la. “Queria beijar sua boca”, disse.
Soldado alega que recusou investidas
A soldado afirma que recusou todas as investidas e que nunca manteve qualquer relacionamento amoroso com o oficial. Mesmo assim, segundo ela, comentários passaram a circular nos corredores da corporação, alimentando rumores sobre um suposto envolvimento entre os dois. O advogado da policial pediu a abertura de um Inquérito Policial Militar para investigar possíveis crimes de assédio sexual, assédio moral, ameaça e fraude processual.
Período do comportamento do tenente-coronel
De acordo com a denúncia, o comportamento do coronel teria se intensificado entre junho de 2025 e março de 2026. A policial afirma que passou a evitar escalas de trabalho em que ele estivesse presente por medo da pressão hierárquica. O documento também relata que o oficial tentou colocá-la em um cargo administrativo equivalente ao de secretária e que teria ameaçado transferi-la compulsoriamente após receber recusas.
Geraldo Leite Rosa Neto já responde na Justiça pelo feminicídio da esposa e por fraude processual. Segundo o Ministério Público, ele matou Gisele Alves Santana após não aceitar a separação. A defesa do coronel afirma que ele é inocente e sustenta que a policial tirou a própria vida. Procurada sobre a nova denúncia, a Polícia Militar informou apenas que o caso está sendo apurado pela Corregedoria.

