A fabricante Ypê informou nesta sexta-feira (8) que entrou com um recurso administrativo contra a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determinou o recolhimento e a suspensão da fabricação de produtos da marca com lotes terminados em número 1. A medida envolve detergentes, sabões líquidos e desinfetantes produzidos na unidade da empresa localizada em Amparo, no interior de São Paulo.
Segundo a empresa, a apresentação do recurso suspende automaticamente os efeitos da decisão até uma nova análise da Diretoria Colegiada da Anvisa. Com isso, a fabricação e comercialização das categorias afetadas podem continuar temporariamente. A própria agência confirmou que a legislação prevê efeito suspensivo para recursos administrativos apresentados pelas empresas enquanto o julgamento definitivo não acontece.
Avaliação da Anvisa encontrou risco sanitário
Apesar disso, a Anvisa reforçou que mantém a avaliação técnica sobre o risco sanitário envolvendo os produtos da marca. De acordo com a agência, uma inspeção realizada entre os dias 27 e 30 de abril identificou falhas relevantes nas chamadas Boas Práticas de Fabricação. Os fiscais apontaram problemas nos sistemas de limpeza, controle microbiológico, sanitização e garantia de qualidade, fatores que poderiam favorecer contaminação microbiológica nos produtos.
A decisão da Anvisa também levou em consideração um histórico anterior da empresa. Em novembro de 2025, a própria Ypê realizou um recolhimento voluntário de lotes de lava-roupas líquidos após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa. Segundo a agência, a nova inspeção foi motivada justamente pela necessidade de verificar se as medidas corretivas adotadas pela fabricante haviam sido efetivas para evitar novos riscos sanitários.
Anvisa se manifestou por meio de nota
Em nota, a Ypê afirmou que continua colaborando com as autoridades e reforçou seu compromisso com a segurança dos consumidores. “Ainda que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é – e sempre será – sua maior prioridade”, declarou a empresa. Enquanto o recurso segue em análise, a Anvisa recomenda que consumidores não utilizem os produtos afetados e procurem o Serviço de Atendimento ao Consumidor da marca para orientações sobre troca, devolução ou ressarcimento.

