Por que a nova mascote Pilili do TSE está causando tanta revolta nas redes sociais antes das eleições

Personagem criado para celebrar os 30 anos da urna eletrônica vira alvo de críticas e teorias infundadas na internet.

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentou recentemente a mascote Pilili, uma personagem em formato de urna eletrônica criada para incentivar a participação popular nas eleições de 2026. O nome escolhido faz referência direta ao sinal sonoro emitido pelo equipamento no momento em que o eleitor confirma o voto. No entanto, a iniciativa deflagrou uma nova série de contestações nas plataformas digitais a respeito da integridade do sistema de votação brasileiro, mesmo após três décadas de funcionamento sem qualquer registro de irregularidade comprovada.

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A introdução da figura representativa ocorreu durante a cerimônia que marcou os 30 anos de utilização da tecnologia no país. A corte eleitoral defende que a transição do modelo de papel para o formato digital garantiu maior confiabilidade ao processo. Durante a apresentação, a ministra Cármen Lúcia destacou o impacto do equipamento na democracia nacional. “Nesses 30 anos, [a urna eletrônica] acabou com a fraude eleitoral, acabou com a possibilidade de uma pessoa votar por outra, acabou com a possibilidade de não ser o resultado escolhido pelo povo”, disse a ministra Cármen Lúcia no evento de lançamento da mascote.

Repercussão da mascote Pilili e críticas de Arthur do Val

Nas redes sociais, perfis contrários ao tribunal passaram a utilizar a imagem da personagem, que não possui gênero definido, para disseminar desconfianças. Usuários argumentam que a estratégia seria uma tentativa de ocultar supostas falhas institucionais e infantilizar o debate político. O ex-deputado estadual Arthur do Val, que teve o mandato cassado por quebra de decoro, manifestou-se sobre a estratégia de comunicação do órgão. “O TSE está enfrentando uma crise institucional. Eles pensam o seguinte: ‘O que podemos fazer para conter essa crise? E se a gente criasse um personagem, uma urna eletrônica, chamar ela de Pilili?'”, afirmou o ex-deputado estadual Arthur do Val.

Outras publicações na plataforma X seguiram a mesma linha de questionamento, exigindo o retorno de métodos antigos de apuração. Um dos perfis compartilhou um vídeo contestando as declarações da presidente da corte. “Vamos falar do ‘Pilili’, da nossa famigerada urna eletrônica, tentando trazer de volta a credibilidade. Vem a dona Carmén Lúcia dizendo que elas impediram as fraudes. Eu me sentiria muito mais segura vendo meu voto impresso em papel, vendo contagem pública de votos”, diz a publicação. Esse cenário repete o padrão observado no pleito de 2022, quando suspeitas infundadas resultaram na inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segurança das urnas eletrônicas explicada por Vitor Marchetti

Para combater a desinformação recorrente, especialistas em tecnologia e ciência política reiteram o funcionamento isolado dos aparelhos. A impossibilidade de invasão remota é garantida pela ausência de conexão em rede. O cientista político e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Vitor Marchetti, detalhou a arquitetura do sistema para esclarecer as dúvidas levantadas na internet. “As urnas eletrônicas não são conectadas à internet. O equipamento nem sequer tem essa possibilidade. Na urna, os votos são computados em um flash card. (…) Não tem como inserir nada. Só roda o software oficial do TSE, que tem os nomes e números dos candidatos e que, portanto, recebe o voto do eleitor”, explicou Vitor Marchetti.