Uma carta encontrada pela Polícia Militar durante o resgate de Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, levantou novos elementos na investigação sobre o sequestro da jovem em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Emiliane foi encontrada amordaçada e acorrentada dentro de um imóvel no Setor Jardim América III. O ex-companheiro dela, Ailton Rodrigues Mendes, foi preso em flagrante e teve a prisão mantida pela Justiça após a audiência de custódia realizada no sábado (22).
O documento estava escrito em uma folha de caderno e era destinado aos familiares de Emiliane. No conteúdo, havia orientações sobre documentos e bens da jovem, além de um pedido para que a família não procurasse a polícia. “Espero não ser um adeus. Estarei sempre em espírito”, diz um dos trechos da carta. Para a Polícia Militar, a análise inicial indica que Emiliane teria sido obrigada a escrever o texto.
Carta deixada pela vítima
O major Jorge Paiva, da Companhia de Policiamento Especializado de Águas Lindas de Goiás, afirmou que a carta foi localizada no bolso do suspeito durante a abordagem. “Ele já estava andando com essa carta na hora da abordagem, tava no bolso dele”, disse. A polícia acredita que o documento tenha sido produzido próximo ao momento do resgate, o que reforça a suspeita de que a jovem teria sido pressionada a escrever as mensagens destinadas à família.
O resgate aconteceu na sexta-feira (21), depois que os policiais localizaram uma casa alugada pelo suspeito poucos dias antes. Segundo a Polícia Militar, Ailton fugiu de uma abordagem e acabou sendo detido. Durante as buscas, os agentes identificaram o imóvel e ouviram ruídos vindos do interior. Emiliane foi encontrada em um dos quartos com braços, pernas e pescoço presos por cordas, algemas e uma corrente. Ela também estava amordaçada e apresentava dificuldades para respirar.
Relacionamento chegou ao fim em dezembro
Após receber alta médica, Emiliane falou sobre o que sofreu e afirmou que o relacionamento com Ailton havia terminado em dezembro de 2025. A Polícia Civil também identificou um histórico de violência doméstica durante a investigação. O suspeito deve responder por crimes relacionados ao sequestro e porte ilegal de arma de fogo, enquanto as circunstâncias e a motivação do crime continuam sendo apuradas. A defesa de Ailton afirma que o inquérito ainda está em andamento e que é prematuro tirar conclusões definitivas sobre os fatos.
