Ao relembrar uma das montagens mais famosas de Romeu e Julieta no teatro brasileiro, Marcos Mion abriu espaço para contar uma história pessoal que acabou se tornando pública e transformadora. No programa Caldeirão, ao lado dos atores Giulia Gam e Edson Celulari, o apresentador falou sobre sua admiração de longa data pela obra de William Shakespeare e como essa paixão antiga influenciou uma decisão que iria muito além da vida familiar.
Conforme apurado pelo portal Notícias da TV, a conversa começou com a novela Que Rei Sou Eu?, mas logo se voltou para o teatro dos anos 1980. Foi aí que Mion mencionou ter ouvido falar por anos sobre a versão de Romeu e Julieta em que Giulia Gam brilhou nos palcos. O apresentador revelou que sempre sonhou em viver o papel de Romeu, mas com o passar do tempo entendeu que a idade já não era a mesma para assumir aquela personagem. Em vez de abandonar esse sentimento, ele decidiu eternizá-lo de outra forma: dando esse nome ao filho que viria.
Do sonho aos palcos da vida real
Mion explicou que a peça de Shakespeare é a que mais o toca, e que o desejo de interpretar Romeu nunca se concretizou nos palcos profissionais. Mesmo assim, ele encontrou um caminho para que esse nome continuasse presente na sua história: batizando o filho mais velho de Romeo. A escolha também foi um gesto de reconhecimento em relação à trajetória da atriz Giulia Gam naquela montagem histórica. Com bom humor, Mion brincou que, se um dia voltar aos palcos com Shakespeare, talvez já seja para outros papéis, como o rei Henrique 5º.
Romeu Mion nasceu em 2005 e ainda na infância recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ao longo dos anos, ele se tornou uma referência nacional quando o assunto é visibilidade e inclusão de pessoas com essa condição. A própria trajetória da família inspirou uma mobilização que resultou em algo muito maior do que campanhas de conscientização: virou lei.
O nome Romeo Mion virou garantia de direitos
Em 2020, foi sancionada a Lei nº 13.977, que passou a ser conhecida como Lei Romeu Mion. A norma criou a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), um documento que garante atendimento prioritário e integral em serviços de saúde, educação e assistência social em todo o Brasil. A carteira é válida em todo o território nacional e facilita o acesso a serviços públicos e privados essenciais, desburocratizando o dia a dia de milhares de famílias.
O que começou como um desejo pessoal ligado ao teatro se transformou em um nome, depois em uma trajetória de conscientização e, finalmente, em um instrumento legal que protege e ampara pessoas com TEA em todo o país. É um exemplo de como uma história pessoal pode se tornar um direito coletivo.
