A estreia da propaganda eleitoral no rádio colocou Lula e Flávio Bolsonaro em lados bem diferentes na estratégia para conquistar os eleitores. O candidato do PT ocupou seus 5 minutos e 31 segundos destacando institutos federais, universidades e o Pé-de-Meia. Já Flávio, do PL, teve 4 minutos e 20 segundos e abriu seu espaço com críticas ao crime organizado, à inflação e ao endividamento.
Lula aposta em programas sociais e dispara contra Flávio
A campanha de Lula também apresentou o fim da escala 6×1 como um “projeto de Lula” e reforçou a mensagem de proteção aos mais vulneráveis. Em meio a uma música sertaneja, o programa lançou o bordão “Brasil pronto para mais”. A propaganda ainda reproduziu áudios de Flávio Bolsonaro relacionados ao pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
O tom dos ataques aumentou no encerramento, quando a campanha petista classificou o senador como “Flávio, o pior dos Bolsonaros”. A estratégia também recuperou investigações envolvendo o candidato, incluindo o caso das rachadinhas. Flávio foi denunciado em 2020 pelo Ministério Público do Rio por organização criminosa e lavagem de dinheiro, mas as provas foram anuladas após decisões judiciais reconhecerem seu direito ao foro privilegiado.
Flávio tenta conquistar mulheres e mostrar o “Brasil real”
Do outro lado, a campanha de Flávio buscou ampliar seu diálogo com o eleitorado feminino e apresentar uma imagem mais pessoal do candidato, destacando principalmente a esposa e as filhas. Jair Bolsonaro apareceu nas referências, mas sem ocupar o centro da narrativa. A estratégia ocorre após o desgaste provocado por críticas públicas de Michelle Bolsonaro ao candidato em junho de 2026 e a posterior reaproximação entre os dois em vídeos divulgados em agosto.
No rádio, Flávio preferiu concentrar os ataques no governo Lula, principalmente em segurança pública e no aumento dos preços dos alimentos. O caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado sob suspeita de tráfico de influência, não foi citado diretamente. A campanha resumiu sua proposta com uma provocação: enquanto Lula “vai mostrar cenas bonitas”, Flávio promete “mostrar o Brasil real”.
